1. Início
  2. /
  3. Forbes Money
  4. /
  5. Petrobras (PETR4) Bate Recorde de Produção no 2º Trimestre
Forbes Money

Petrobras (PETR4) Bate Recorde de Produção no 2º Trimestre

O avanço operacional levou a estatal a bater recordes de produção e refino, apesar da queda nas vendas domésticas de gasolina e gás

6 min

A Petrobras (PETR4) informou que registrou uma produção média histórica de 3,34 milhões de barris de óleo equivalente por dia no segundo trimestre de 2026. O resultado representa um avanço de 14,1% na comparação com o mesmo período do ano passado e uma alta de 3,4% frente ao primeiro trimestre de 2026.

A arrancada operacional no período foi impulsionada pela maior eficiência dos ativos e pela entrada em operação de novos sistemas de produção, com destaque para a camada pré-sal da Bacia de Santos. No entanto, essa expansão acelerada foi parcialmente atenuada pelo declínio natural da produtividade em campos maduros.

Segundo relatório da companhia, o principal vetor para o salto produtivo foi o desempenho do campo de Búzios, localizado no pré-sal. A plataforma P-79 iniciou a extração no local no dia primeiro de maio, antecipando em três meses o cronograma estipulado no Plano de Negócios da companhia.

A nova unidade possui capacidade nominal para extrair 180 mil barris de petróleo por dia e comprimir 7,2 milhões de metros cúbicos de gás natural, elevando a capacidade instalada do campo para cerca de 1,33 milhão de barris diários. O avanço da P-79 somado ao progresso da P-78 permitiu que as plataformas de Búzios atingissem, em 26 de junho, a média recorde de 1,2 milhão de barris por dia.

Produção cresce e gasolina cai

Além das novas plataformas em Búzios, o incremento no volume total do grupo resultou do ganho de eficiência operacional nas demais bacias e da contribuição de outras unidades recém-instaladas. Entre os destaques estão o avanço da produção das plataformas Maria Quitéria, no campo de Jubarte, Alexandre de Gusmão, na área de Mero, e Almirante Tamandaré, que bateu marca própria com 253 mil barris diários em junho.

De acordo com o documento, o ganho contínuo de confiabilidade operacional nos sistemas existentes adicionou, por si só, cerca de 70 mil barris por dia à produção na comparação anual, montante equivalente a toda a capacidade do navio-plataforma Anna Nery.

Apesar do desempenho do pré-sal, outros segmentos extrativos apresentaram perdas operacionais. A produção de óleo na camada pós-sal profundo e ultraprofundo encolheu 1,4% em comparação ao primeiro trimestre do ano, caindo para 356 mil barris diários. A retração na área decorreu do maior volume de paralisações temporárias para manutenções programadas em plataformas situadas na Bacia de Campos

No segmento de abastecimento, a estatal também bateu marcas históricas ao registrar um Fator de Utilização Total de 101,2% do seu parque de refino no trimestre. Nos meses de abril e maio, o índice de processamento das refinarias alcançou o patamar inédito de 102,5%, o mais elevado da história recente do atual parque industrial da empresa.

A maior atividade industrial permitiu aumentar a produção de derivados para 1,918 milhão de barris diários, com volumes recordes no combustível Diesel S10, que somou 509 mil barris diários, e no querosene de aviação, com 109 mil barris por dia. As refinarias com maior destaque na produção do diesel com baixo teor de enxofre foram Replan, Rnest e Repar.

Por outro lado, o ritmo aquecido do refino coincidiu com uma retração nas vendas internas de diversos combustíveis. As vendas de gasolina caíram 2,2% na comparação trimestral em razão da maior competitividade do etanol hidratado nos postos. A comercialização de querosene de aviação recuou 11,9% devido ao encerramento da temporada de férias e à otimização de frotas aéreas frente aos preços internacionais do insumo. As vendas de óleo combustível também caíram 5,0%, afetadas pelo fim da temporada de cruzeiros marítimos.

No mercado externo, a empresa enfrentou uma redução expressiva das compras por parte do seu principal cliente. A fatia da China no total do petróleo exportado pela companhia despencou de 62% no primeiro trimestre para 35% no segundo trimestre de 2026. A retração ocorreu devido a estratégias chinesas para conter importações diante do patamar de preços no mercado internacional, forçando a estatal a redirecionar cargas para compradores na Índia, Europa e outros países asiáticos

No segmento de gás natural e energia, problemas logísticos limitaram a oferta disponível no mercado. A entrega de gás nacional diminuiu 2,6% frente ao trimestre anterior por conta de interrupções em unidades de produção e em tubulações de escoamento. O gargalo reduziu as vendas totais de gás em 2,2% e fez a comercialização de energia elétrica despencar 24,4% no período.

Ampliando presença externa

O processamento doméstico e a maior disponibilidade de derivados próprios ajudaram a reduzir a dependência externa e a remodelar a pauta de comércio exterior da companhia. As importações de petróleo bruto caíram para 89 mil barris diários entre abril e junho, marcando o nível mais baixo registrado desde a pandemia.

Já as exportações de petróleo da empresa se aproximaram de 1 milhão de barris diários, impulsionadas pelo aumento do volume extraído do pré-sal.

Os embarques ao exterior ganharam novos destinos estratégicos com a adição de cinco novos clientes internacionais na Suécia, Polônia, Omã, Taiwan e África do Sul, compensando a menor participação temporária da China nas compras do período.

A Petrobras ainda avançou em frentes voltadas para a transição energética e descarbonização. O indicador de intensidade de emissões de gases de efeito estufa no segmento de exploração e produção apresentou retração para 14,4 quilos de gás carbônico equivalente por barril produzido, auxiliado pela eficiência das novas plataformas em operação.

No campo dos combustíveis sustentáveis, a empresa obteve progresso nos testes para coprocessamento de combustível sustentável de aviação na refinaria de Henrique Lage. Também aumentou a proporção de matéria-prima renovável no Diesel R na refinaria de Duque de Caxias.

Porém, mesmo com a melhora nos gases efeito estufa, o aumento geral das atividades industriais elevaram as consequências ambientais do grupo. As emissões operacionais de gases de efeito estufa na divisão de óleo e gás somaram 25 milhões de toneladas no primeiro semestre, representando um acréscimo de 2 milhões de toneladas frente ao mesmo período de 2025.

Assine Forbes. Inspire-se, lidere, conquiste. Ao se cadastrar, você concorda com nossa Política de Privacidade e com o uso de seus dados para fins de comunicação.