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Cyrela (CYRE3) Dá Passo Atrás com a Plano&Plano (PLPL3) e Aumenta Rumores de Desinvestimento

Gigante imobiliária abre mão de assentos no conselho e aumenta rumores sobre desinvestimento; ações PLPL3 recuam

4 min

A construtora Plano&Plano (PLPL3) firmou um novo acordo de acionistas, conforme comunicado pela companhia via fato relevante nesta segunda-feira (10).

O documento, de 56 páginas, mostra que a Cyrela está se afastando da administração da Plano&Plano.

A gigante imobiliária abriu mão do seu direito de indicar pessoas para ocupar cargos no Conselho de Administração.

Com isso, a Cyrela se comprometeu a votar nos candidatos indicados aos assentos no Conselho que forem apresentados por Rodrigo Uchoa Luna e Rodrigo Fairbanks von Uhlendorff, os dois sócios fundadores da Plano & Plano.

O novo acordo de acionistas da Plano&Plano entra em vigor na data de assinatura e vale por 4 anos (até agosto de 2030), revogando e substituindo integralmente o acordo de 2020, ano em que a empresa fez seu IPO na bolsa de valores.

Conforme o documento, o Conselho de Administração da empresa seguirá com uma composição de cinco a sete membros com mandatos de um ano.

Os quatro membros não independentes passam a ser indicados exclusivamente pelo Bloco Plano R2 (Luna e Uhlendorff), sem participação da Cyrela na escolha.

Além disso, o novo acordo reduz a fatia mínima obrigatória a ser detida pela Cyrela. Anteriormente, a empresa tinha que manter ao menos 15% de participação.

Com o novo acordo de acionistas, tanto a Cyrela quanto os fundadores deverão manter, individualmente, no mínimo 7% do capital social total e votante da companhia.

O documento firma que as ações vinculadas só podem ser transferidas livremente após um período de lock-up que exige, cumulativamente:

  • Decurso de 2 anos da assinatura do acordo
  • Cotação das ações da Plano & Plano na B3 atingir R$ 20 por ação (valor corrigido anualmente pelo IPCA)

Nesse sentido, os dois blocos de acionistas (Cyrela e sócios-fundadores) têm direito a vender sempre a mesma quantidade de ações (venda pari passu).

A Cyrela é dona de 33,4% do capital social da empresa atualmente, em uma participação societária que nasceu em meados de 2006, no âmbito de uma joint venture.

Luna detém, sozinho, 22,8% das ações da empresa, ao passo que Uhlendorff é dono de uma fatia de 15,5% da empresa.

O pano de fundo — e a possível venda da fatia da Cyrela na Plano&Plano

O comunicado vem em meio a rumores de que a Cyrela pode se desfazer integralmente de sua participação societária na Plano&Plano, assim como na Cury e na Lavvi — outras duas companhias do segmento que estão na bolsa de valores e em quais a Cyrela entrou no capital social via joint venture.

No ano passado, as três empresas representaram R$ 395 milhões de lucro líquido na linha final do balanço da Cyrela. Essa cifra representou cerca de 20% do lucro da empresa.

Sozinha, a Plano&Plano representou R$ 123 milhões de lucro líquido.

Ao zerar sua posição nas três empresas, a Cyrela ocasionaria geração excessiva de caixa e destratvaria dividendos de R$ 1,88 bilhão, segundo analistas do JPMorgan.

Os especialistas do banco indicam que o melhor cenário para a empresa seria de venda de ações da Cury.

“Dos seis cenários que analisamos, o maior retorno, de cerca de 14%, decorre da venda, pela Cyrela, de toda a sua participação de aproximadamente 15,1% na Cury”, diz a casa.

A empresa precisaria negociar e cancelar os acordos de acionistas individualmente sem penalidades. Atualmente, os documentos firmam que a Cyrela deve manter uma participação societária de 15% na Lavvi e 14% na Cury;

No caso da Plano&Plano, eram 14% e com este novo acordo são apenas 7% de fatia mínima.

Já no terceiro trimestre de 2025, a Cyrela reduziu sua posição na Cury ao vender 4,6 milhões de ações.

A participação caiu de 18,53% para 16,95%, e o lucro gerado com a operação foi de R$ 210 milhões.

A queda nas ações

Na esteira do novo acordo de acionistas e do afastamento da Cyrela, as ações da Plano&Plano recuam 4% no pregão desta segunda-feira (10), às 14h. No acumulado de 12 meses, os papéis recuam 49% na bolsa de valores.

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