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E-commerce cresce no Brasil, mas sem acessibilidade para pessoas com deficiência

Apesar do avanço no e-commerce durante a pandemia, acessibilidade no consumo é ainda uma barreira para centenas de milhares de brasileiros

4 min
Getty Images
Getty ImagesMenos de 1% dos websites brasileiros podem ser considerados acessíveis a pessoas com deficiência

Um dos legados da pandemia de Covid-19 é, sem dúvida, o avanço e adoção tecnológica em diferentes setores da economia, entre eles o varejo. No Brasil, o número de lojas físicas que abriram seu e-commerce aumentou em cerca de 400%, segundo levantamento da ABCComm (Associação Brasileira de Comércio Eletrônico).

Um público, no entanto, ainda segue distante do advento do e-commerce: o de pessoas com deficiência.

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De acordo com o último levantamento do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), realizado em 2019, cerca de 25% dos brasileiros, ou 45 milhões de pessoas, possuem algum tipo de deficiência, sendo a deficiência visual a mais comum, com 3,5% da população atingida no país.

Apesar dos números, apenas 0,8% dos quase 17 milhões de páginas na web no Brasil podem ser considerados acessíveis, segundo dados do Big Data Corp. Um estudo da Accenture revela que globalmente, cerca de um bilhão de pessoas convivem com algum tipo de deficiência, representando US$ 8 trilhões em renda disponível.

Fabíola Calixto, especialista em negócios digitais com acessibilidade da Alavanka Digital, acredita que “a falta de perspectiva das empresas em relação aos ganhos que podem obter com esse público é o motivo pelo qual não procuram se adaptar com TA (Tecnologias Assistivas)”.

Jaques Haber, diretor de impacto da Equalweb, afirma que “não há recusa das companhias em se tornarem acessíveis, mas existe pouca compreensão em relação aos caminhos que levam à inclusão social. Existe um mito de que a acessibilidade digital é muito complicada”, avalia.

Segundo o Alexa Ranking, que analisa a usabilidade dos e-commerces, existem grandes barreiras de acesso nas páginas brasileiras: falta de descrição da imagem, hierarquia incorreta no cabeçalho, desalinhamento do site ao realizar o zoom na tela e falta de botões. “Configurações erradas atrapalham qualquer usuário, imagine as pessoas com deficiência”, comenta Fabíola.

Mas a vasta demanda também pode ser sinônimo de oportunidades para a inclusão. A Equalweb, empresa israelense de SaaS (software as a service) que opera no Brasil, otimizou o acesso de 100 mil páginas no país apenas neste ano. O custo pode variar de R$ 500 a R$ 5 mil ao mês, conforme a quantidade de páginas e número de acessos. “Quanto mais pessoas utilizando o site, mais recursos computacionais serão usados”, explica Haber.

A Alavanka Digital ressalta que a adaptação das páginas na web pode ser “simples ou não. O que varia, muitas vezes, é a diagramação de um site, mas a evolução da adaptação é constante porque a linguagem brasileira também é mutável”, explica.

Para o próximo semestre, a ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) prevê o lançamento de uma normativa com foco em mobile pensando na adaptação das páginas na web brasileiras às demandas de pessoas com deficiência.

A Forbes conversou com pesquisadores e profissionais que trabalham com tecnologia assistiva para identificar iniciativas que possam promover inclusão e diminuir as barreiras presentes no dia a dia de pessoas com deficiência.

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