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Por Que a Moët & Chandon Não Quer Que Você Espere para Provar Champanhe

Marie-Christine Osselin fala sobre a mudança no consumo de vinhos e o lançamento da Collection Impériale Création Nº 1

6 min

Há vinhos que pedem paciência do consumidor. Garrafas compradas para dormir anos em uma adega, à espera do momento certo, da maturidade certa, da ocasião certa. A Moët & Chandon quer deslocar essa espera para outro lugar. No caso do champanhe, diz Marie-Christine Osselin, Wine Experience Oenology Manager da maison, o tempo já aconteceu antes de a garrafa chegar à mesa.

“Você não precisa esperar, porque nós já esperamos por você”, afirma Marie-Christine em entrevista exclusiva à Forbes Brasil. A frase resume uma mudança importante no consumo de vinhos depois da pandemia: o desejo por rótulos especiais, mas prontos para beber. O consumidor que antes aceitava guardar uma garrafa por anos passou a buscar experiências mais imediatas. Não necessariamente mais simples, mas menos dependentes de uma espera longa em casa.

É nesse contexto que a Moët & Chandon trouxe ao Brasil a Collection Impériale Création Nº 1 (com preço sugerido a partir de R$ 1.800), nova cuvée de prestígio criada para marcar os 280 anos da maison. O rótulo chegou ao país com uma série de encontros conduzidos por Marie-Christine. A proposta combina história, técnica e uma leitura contemporânea sobre o tempo: um champanhe de guarda que já sai das caves pronto para ser aberto.

“O tempo de espera pertence aos produtores de champanhe”, diz Marie-Christine. “A maturação que fazemos pode levar décadas, mas acontece nas nossas caves. Quando vendemos a garrafa, ela está pronta para beber.”

Collection Impériale Création Nº 1

A Collection Impériale Création Nº 1 foi criada para celebrar os 280 anos da Moët & Chandon e homenagear Claude Moët, fundador da maison. O rótulo inaugura uma nova linha da Collection Impériale e marca também uma contagem regressiva para o tricentenário da casa, que será celebrado em 2043.

A cuvée tem base na safra de 2013 e reúne sete safras notáveis em um único blend: 2013, 2012, 2010, 2008, 2006, 2000 e 2004. Cada uma entra com uma função no conjunto. A Grand Vintage 2013 traz frescor. A 2012 acrescenta refinamento. A 2010 contribui com potência. A 2008 entrega tensão. A 2006 amplia o corpo. A 2000, envelhecida em barris de carvalho, adiciona vibração. A 2004, maturada em garrafa sobre as borras depois da segunda fermentação, completa o conjunto com elegância.

O resultado é um brut nature, sem adição de açúcar na dosagem. A ideia é mostrar uma expressão mais pura do champanhe, sustentada pela seleção, pelo envelhecimento e pela combinação de diferentes safras.

Para a Moët & Chandon, o rótulo representa a chamada Haute Oenologie, termo usado pela maison para definir sua visão de alta enologia. O conceito reúne ciência, paciência, experiência histórica e a capacidade de transformar diferentes vinhos em um blend harmônico.

Ciência, arte e paciência

A trajetória de Marie-Christine ajuda a explicar essa leitura técnica e sensorial do champanhe. Nascida no sul da França, na Provence, ela cresceu em um ambiente marcado por produtos locais, terroir e savoir-faire artesanal. Antes de chegar ao vinho, formou-se em biologia e trabalhou como técnica de laboratório em análises médicas. Depois, estudou gestão de qualidade para bioindústrias e entrou no setor vitivinícola no Vale do Rhône.

Na Moët & Chandon desde 2016, passou por qualidade, comunicação enológica, degustações de vinhos de base, assemblage e lançamentos de novas cuvées. Em 2022, assumiu a área de experiência do vinho e enologia, função em que combina conhecimento técnico, degustação, comunicação e harmonizações ao lado do chef executivo da maison, Jean-Michel Bardet.

“Minha personalidade mistura ciência, arte e curiosidade”, diz. “No vinho, existe esse cruzamento perfeito. Você precisa ser sensível, criativo e aberto. Ao mesmo tempo, se quiser dominar o seu trabalho, a ciência é a base.”

Essa combinação é ainda mais importante no champanhe. Para a Moët & Chandon, manter um estilo consistente ano após ano exige precisão. O Brut Impérial, por exemplo, não nasce de uma receita fixa, mas de um perfil sensorial que precisa ser recriado a partir de vinhos diferentes.

“Não existe receita para criar o Brut Impérial. Existe um estilo, existe um sabor. Nós o conhecemos perfeitamente. Depois, há os vinhos, e precisamos encontrar os vinhos certos para criar esse mesmo estilo.”

Uma maison de 280 anos olhando para o futuro

A Moët & Chandon foi fundada em 1743 e construiu sua história em torno da inovação. Marie-Christine lembra que, durante a crise da filoxera na França e na Europa, a maison assumiu o papel de liderança na região de Champagne, criando uma escola para ensinar viticultores a enxertar vinhas.

Para ela, esse tipo de inovação só faz sentido quando tem propósito. “Não é inovar por inovar”, afirma. “Quando criamos algo novo, precisa ser pela qualidade do champanhe, pela qualidade do vinho ou pela qualidade de vida das pessoas que trabalham conosco.”

Hoje, esse conhecimento aparece em escala. A Moët & Chandon tem 1.400 hectares de vinhedos próprios, o equivalente a cerca de 20% de suas necessidades de uvas, e trabalha com mais de 2.000 famílias de viticultores em Champagne. A cada safra, a maison produz de 900 a 1.000 vinhos de base, usados como ingredientes para os blends.

Essa biblioteca de vinhos se tornou ainda mais importante com as mudanças climáticas. A acidez, a maturação das uvas e o calendário de colheita estão mudando. Segundo Marie-Christine, a expectativa era de uma colheita muito antecipada em 2026, possivelmente no início de agosto, uma das mais precoces da história da maison.

A resposta está na capacidade de adaptação. “A arte de fazer champanhe está na assemblage”, diz. “Quando você faz blends, tem a possibilidade de se adaptar.”

Brasil, celebração e mercado de luxo

A escolha do Brasil para receber a Collection Impériale Création Nº 1 também tem peso estratégico. Marie-Christine afirma que percebeu no país um mercado com alto nível de conhecimento e sensibilidade para o luxo.

“O Brasil é importante para a Moët & Chandon”, diz. “Há grandes cidades muito energéticas, abertas ao mundo, e um forte senso de celebração.”

Para ela, champanhe não é apenas luxo. É também estilo de vida. “Champanhe é sobre celebração. Podemos ser muito sérios sobre champanhe, mas, no fim do dia, é um vinho que reflete bons momentos, boas vibrações e celebração.”

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