O Bar Leone, no centro de Hong Kong, mal tinha um ano de abertura quando foi logo catapultado ao posto de melhor bar da Ásia e o 2º melhor do mundo no ano passado pelo “Oscar” da coquetelaria. Ele já nasceu mostrando ao que veio. Nesta quarta (9), porém, em seu segundo ano de existência, o “novato” do mundo dos drinks mostrou que seu lugar era no topo do pódio, agora sendo coroado o melhor bar do mundo pelo The World’s 50 Best Bars 2025.
O segredo do sucesso, segundo o fundador Lorenzo Antinori, é uma filosofia que vai na contramão das tendências de mixologia complexa: “cocktail popolari”, ou “coquetéis para o povo”. A inspiração são os despretensiosos bares de bairro de Roma, onde o objetivo é a conversa e o acolhimento, e não a afetação.
“Acho que o algo de especial do Bar Leone é que ele tem alma de bar, de boteco”, opina o jornalista especializado em gastronomia Rafael Tonon. “É autêntico, divertido e simples, no melhor dos sentidos. É um bar para estar, se sentir bem. Não para ver e ser visto”.
O ambiente reflete essa proposta. Com paredes forradas de gravuras vintage e camisas de futebol, a atmosfera é relaxada e nostálgica, remetendo à Roma dos anos 80 e 90. Antinori, um bartender renomado com passagens pelos melhores bares de Londres e Seul, rejeita a pretensão. “Nosso bar foi projetado para ser um espaço acolhedor, onde os coquetéis não exigem um ‘dicionário’ para serem compreendidos”, afirmou ele à Business Traveller.

Em vez de maquinário e técnicas mirabolantes, a aposta é em clássicos executados com maestria. “Mantemos a simplicidade com orgulho, permitindo que os clientes apreciem os ingredientes sem a necessidade de artifícios”, diz ele. Um dos favoritos do público é o Filthy Martini, que eleva o clássico com uma salmoura de azeitona defumada, criada na casa. A joia da coroa, no entanto, é o Olive Oil Sour, drink mais vendido desde o primeiro dia. Uma releitura do tradicional Whiskey Sour, a bebida leva xerez, azeite de oliva extra virgem e clara de ovo.

A vitória no 50 Best Bars também é um marco para o continente: essa é a primeira vez na história que um bar asiático conquista o primeiro lugar, consolidando cada vez mais a região como o novo epicentro de excelência e inovação do setor.
O continente conta com 12 bares no top 50. Já o Brasil apareceu com um estabelecimento, o paulistano Tan Tan, como 24º melhor bar do mundo.
