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Drink da Semana: Caju Amigo, o Clássico da Boemia Paulistana

Nascido entre a alta sociedade e eternizado nos balcões da década de 1970, o coquetel ganha nova vida com cachaça. Aprenda a versão de Stephanie Marinkovic, do Fifty Fifty Bar

4 min

O Caju Amigo é, hoje, um dos mais delicisosos cartões de visita da coquetelaria popular brasileira. Frutado, equilibrado no doce e com alma tropical, o drink construiu o seu legado ao longo de meio século de existência. Embora a sua versão mais célebre tenha ganhado fama com a vodca, é na união com a cachaça que a fruta encontra o seu par definitivo nos balcões contemporâneos.

Sua história oficial costuma começar em 1974, no lendário Pandoro, endereço no Jardim Europa que durante décadas foi o ponto de encontro da elite boemia paulistana. Foi no clássico bar e restaurante que o barman baiano Guilhermino Ribeiro dos Santos criou uma mistura em copo alto com vodca, suco de caju, fruta em calda, açúcar e gelo.

A receita, que continha um ingrediente secreto nunca revelado por Guilhermino, virou a bebida oficial do pedaço. Personalidades que iam de Hebe Camargo e Chacrinha a empresários e jornalistas frequentavam o bar e pediam a mistura.

Conta a lenda que os frequentadores passaram a pedir o coquetel repetindo a mesma frase aos garçons:

— Vê um caju, amigo.

O apelido, então, pegou.

Apesar de ser considerado o mais paulistano dos coquetéis, o Caju Amigo tem uma certidão de nascimento disputada. Alguns historiadores da coquetelaria atribuem uma origem ainda mais antiga ao drink, ligada ao carioca Carlinhos Niemeyer, figura conhecida da alta sociedade do Rio nos anos 1950.

O livro Boêmios & bebidas, de Paulo Pinho, aponta que o famoso “bon vivant” tinha o hábito de chupar caju após longas maratonas etílicas para disfarçar o cheiro do álcool. Em 1954, durante uma festa que contava com a atriz Ginger Rogers, a fruta virou a base de uma poção que misturava suco de caju, gin e açúcar – dando origem, inclusive, ao carnavalesco Baile do Caju Amigo.

Seja qual for a verdade de sua origem, sem dúvidas foi em São Paulo que a bebida encontrou a sua fórmula comercial de sucesso e a consagração absoluta – famosa até hoje nos balcões da cidade e do país.

Frutado, refrescante e despretensioso, ele atravessou décadas sem perder espaço e, recentemente, voltou a aparecer em versões mais cuidadosas nas cartas de bares que revisitam clássicos nacionais. É o caso de Fifty Fifty Bar, de Stephanie Marinkovic e Danilo Rodrigues.

A receita do Caju Amigo, por Stephanie Marinkovic

Ao contrário da versão clássica, a releitura do Fifty Fifty Bar aposta na cachaça para dar sustentação ao drink. O resultado é um coquetel fresco, frutado e tropical, ensina Ste, que adora misturar técnicas de coquetelaria com confeitaria – aprenda sua calda de caju artesanal mais abaixo.

Ingredientes:

  • 60 ml de suco de caju
  • 40 ml de calda de caju
  • 20 ml de suco de limão
  • 60 ml de cachaça de sua preferência

Modo de preparo:

Em uma coqueteleira, bata todos os ingredientes junto com o gelo. Faça uma coagem dupla. Sirva em um copo com gelo novo.

Como elevar o seu Caju Amigo em casa

Para garantir um resultado de alta coquetelaria, a base do seu Caju Amigo precisa ser fresca. Stephanie Marinkovic compartilha as etapas para preparar os insumos da receita:

  • A escolha da cachaça: Para o caju brilhar, a escolha do destilado faz toda a diferença. Segundo Ste, o ideal é optar por uma cachaça branca, que tem um perfil sensorial mais neutro e permite que o sabor delicado da fruta apareça mais. Cachaças envelhecidas em Jequitibá Rosa também são uma excelente pedida.
  • O suco fresco: Bata o caju in natura (sem a castanha) no liquidificador, usando exatamente a mesma proporção de água e fruta. Em seguida, coe o líquido e armazene sob refrigeração.
  • A calda artesanal: Corte 1 kg de caju em fatias. Leve ao fogo com proporções iguais de açúcar e limão e cozinhe por cerca de 30 minutos. É possível adicionar especiarias ao seu gosto pessoal durante a fervura. Após cozida, coe a calda, espere resfriar e guarde na geladeira para usar nos seus coquetéis.
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