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A Ásia Está no Topo da Coquetelaria Mundial: Onde Beber por Lá?

Empenhado conhecedor de bares pelo mundo, Thiago Bañares, do Tan Tan, indica seus endereços favoritos no continente

6 min

A coquetelaria global parece ter um novo centro de gravidade. A cerimônia do World’s 50 Best Bars 2025, realizada em Hong Kong no último mês, marcou um ponto de inflexão: pela primeira vez na história da premiação, um bar asiático, o Bar Leone, foi eleito o número 1 do mundo.

Este, porém, não foi um fato isolado. A ascensão da Ásia tem sido consistente, tendência que nomes atentos do setor já observavam. No Brasil, poucas pessoas têm tanta propriedade para analisar essa tendência quanto Thiago Bañares.

O chef e diretor criativo é a força motriz por trás do Tan Tan, o bar em São Paulo de inspiração asiática que se tornou símbolo da coquetelaria nacional pelo mundo. Nesta mesma edição do 50 Best Bars, o paulistano não só subiu sete degraus (alcançando o título de 24º melhor bar do mundo), como foi, pela segunda vez consecutiva, o único representante brasileiro no top 50.

Tati FrisonThiago Bañares é dono e diretor criativo do único bar brasileiro entre os 50 melhores do mundo

Com uma agenda que envolve viajar o mundo para eventos e congressos, Bañares – já eleito entre as 100 pessoas mais influentes da coquetelaria no mundo, segundo a Drinks International – tem uma visão privilegiada da cena. Para ele, o que acontece no continente asiático é um movimento de descentralização do poder na indústria.

“A Ásia está agora ocupando um espaço na cena global que uma hora foi dominada por europeus e americanos”, analisa o chef. “Você pega a própria lista do 50 Best: a maior parte dos ganhadores, desde que o prêmio nasceu, são americanos e ingleses. Aí começou uma onda de América Latina, que para mim também ocupa um pouco desse mesmo espaço que a Ásia está ocupando.”

Mas, afinal, existe um “jeito asiático” de fazer coquetéis? Para Bañares, sim, com foco em substância. “A coquetelaria na Ásia sempre foi muito baseada em cima de produto, em cima de técnica“, explica.

Divulgação/InstagramCoquetéis do bar Leone, o melhor do mundo em 2025

Ele destaca a escola japonesa como um pilar fundamental dessa cultura: bares menores, com uma velocidade diferente, focados no serviço bespoke (feito sob medida), onde o bartender busca entender o cliente antes de criar. “É um estilo que criou uma escola no mundo”, define.

Para quem deseja explorar esse eixo da coquetelaria, Thiago Bañares listou à Forbes seus sete bares favoritos na Ásia – um roteiro que vai da técnica apurada ao que ele considera o pilar mais importante de todos: a hospitalidade (“impecável” em qualquer destes lugares a seguir).

O roteiro de coquetelaria asiática de Thiago Bañares

1. Bar Leone (Hong Kong)

“Para mim, o mais especial do Leone é que ele entrega hospitalidade, simplicidade com elegância, boa oferta de comida e simboliza o momento da coquetelaria hoje em dia. É muito mais sobre consistência, sobre descomplicar as coisas e entregar um conceito muito redondo.”

2. Benfiddich (Tóquio)

Divulgação/InstagramBar Benfiddich

“É o bar que mais me fascinou no sentido de fazer coquetéis com os ingredientes escolhidos no dia. É quase como se fosse um ‘omakase’ de coquetel, de tentar entender aquilo que você gosta e o cara fazer uma interpretação e te servir na hora, fazer infusão na hora. Uma coisa que eu nunca vi no nível que vi lá.”

3. Virtù (Tóquio)

DivulgaçãoVirtù

“Um bar de hotel. Para mim, tem uma das hospitalidades mais afinadas que eu vi de atendimento e qualidade de coquetéis.”

4. Trench (Tóquio)

DivulgaçãoTrench

“Outro bar sobre coquetéis simples, clássicos e hospitalidade, puro omotenashi japonês. Quando fui, numa noite de chuva, o Rogério [brasileiro à frente do bar] saiu do balcão para levar a gente num restaurante de sushi de guarda-chuva – tudo para garantir que fossemos para nossa próxima etapa da noite com segurança. Foi muito fora da curva.”

5. Mius (Hong Kong)

DivulgaçãoMius

“Arquitetura, qualidade e técnica de coquetéis. Muito bem afinada com uma maestria de explicação, de hospitalidade, de cuidar do cliente de uma maneira também muito especial.”

6. Zest (Seul)

DivulgaçãoZest

“Ingredientes coreanos. É um lugar que fala de regionalidade, que entrega qualidade de coquetel, entrega hospitalidade, além de uma visão 360º de bar. Boa oferta de petisco também.”

7. Jigger and Pony (Singapura)

Divulgação/InstagramJigger and Pony

“Entretenimento, qualidade de coquetel, hospitalidade fora da curva”.

E no Brasil, onde beber com influências na coquetelaria asiática?

A onda asiática no copo, especialmente baseada no Japão, já é sentida há tempos em São Paulo. Além do Tan Tan, com assumida inspiração asiática – ele nasceu para ser um noodle bar, conta Bañares –, aqui estão outros endereços de alto nível para beber como se estivesse em um balcão de Tóquio:

The Punch

Dentro de uma galeria perto da Avenida Paulista, no melhor estilo de lugares escondidinhos japoneses, Ricardo Miyazaki tem um balcão acolhedor, que atende até 11 pessoas por vez. “Uma viagem pelo Japão”, como o próprio local se descreve, está erguido sobre os princípios do omotenashi – especialmente alicerçado pela calorosa recepção de Naomi, companheira de Ricardo. No copo, uma das assinaturas de Miyazaki é a personalização: ele gosta de ouvir e arriscar uma receita criada na hora, moldada às preferências do freguês.

Divulgação/InstagramRicardo Miyazaki, do The Punch Bar

The Liquor Store

Dos mesmos criadores do Tan Tan, a The Liquor Store é ainda menor e mais íntima – mas com a mesma excelência. Em cima do Goya Zushi, é a dobradinha perfeita: primeiro um (ótimo) omakase, seguido de coquetéis no balcão de 6 lugares (mais algumas mesas de canto) a baixa luz. Ali, uma carta de coquetéis cuidadosos, técnicos e elegantes – sempre com algum pézinho nos clássicos, mas com um twist à la casa. É o caso do 14 Bis, uma interpretação mais latina do Paper Plane, com tequila ao invés de uísque.

Shiro

As escadas para o segundo andar do estrelado Kuro, do chef Gerard Barberan, revelam um microbar intimista, onde ingredientes como missô, arroz tostado, shochu e alga nori são costumeiramente encontrados na carta. Até a sakerinha de saquê já ganhou sua versão – elevada – por lá: suco clarificado de morango, saquê e xarope de limão, finalizado com uma dose de champagne Perrier Jouët.

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