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Mini Martinis, Daycaps e Bares Sem Celular: As Tendências de Coquetéis para 2026

Novo relatório da Bacardi aponta como hábitos de consumo, mixologia e experiências vão transformar os bares no próximo ano

7 min

A cultura dos coquetéis nunca foi estática, mas, em 2026, passa por uma mudança perceptível, mais intencional e criativa do que nos últimos anos. O Relatório de Tendências de Coquetéis 2026 da Bacardi projeta exatamente isso: o consumo deixa de priorizar o excesso e passa a valorizar a experiência.

Os coquetéis deixaram de ser apenas bebidas. Tornaram-se marcadores de estilo de vida, elementos de conexão cultural e extensões de identidade. De drinques consumidos no início da noite (“daycaps”) e rituais de convivência sem tecnologia a apresentações elaboradas e ingredientes hiperlocais com origem definida, o futuro do consumo combina atenção ao momento com indulgência de forma alinhada ao contexto atual.

Para compreender essa direção, foi ouvido Adrian Biggs, diretor de advocacy da Bacardi. Segundo ele, se 2025 foi um período de redescoberta do prazer, 2026 se concentra em planejá-lo de maneira intencional.

5 tendências de coquetéis para 2026:

Afternoon Society

BacardiO St Germain Spritz é uma bebida com baixo teor alcoólico que está ganhando popularidade entre a Geração Z

O consumo diurno ganha espaço, mas não no formato de excesso contínuo. A proposta envolve mini martinis, spritzes, coquetéis com baixo teor alcoólico, daycaps e pequenas celebrações pensadas para acompanhar o pôr do sol por volta das 17h, e não a pista de dança noturna.

Segundo Biggs, a geração Z tem antecipado os horários de socialização. Um relatório recente da Resy indica que, no último ano, mais pessoas jantaram entre 17h e 18h do que no intervalo entre 20h e 23h. Há, inclusive, mais reservas às 16h do que às 21h, o que sugere que a mudança ocorrida durante a pandemia permanece. De acordo com Biggs, é necessário adaptar o consumo a esse novo momento.

Marcas como St-Germain apresentam crescimento de dois dígitos impulsionado pela retomada do spritz. A popularização dos mini martinis — especialmente as versões de 3,5 onças em locais como Caffe Dante ou The Tusk Bar — tornou os coquetéis clássicos mais acessíveis a públicos mais jovens.

Biggs observa que o primeiro contato com um martini costuma não ser marcante, enquanto uma versão reduzida funciona como porta de entrada. À medida que o paladar amadurece, a preferência tende a evoluir de opções mais acessíveis para estilos mais intensos, seguindo um processo gradual.

Rewilding Connection

BacardiO consumo de bebidas alcoólicas está perdendo espaço e sendo cada vez mais associado a outras atividades

A tendência que mais chamou a atenção da equipe foi o retorno à convivência offline. Com a vida social migrando para experiências presenciais, consumidores buscam presença em vez de performance, o que incentiva bares e marcas a criarem encontros sem telas, serviços compartilhados e rituais coletivos.

Segundo Biggs, há uma mudança clara de comportamento, inclusive entre jovens, que passam a valorizar atividades conjuntas sem o uso constante do celular. A prioridade passa a ser a interação direta.

Bares respondem com torneios de gamão, noites de mahjong, leituras de poesia, clubes do livro, xadrez e mesas coletivas. O consumo passa a atuar como elemento de conexão.

A Bacardi apoia esse movimento por meio de sua rede nacional de embaixadores, que não apenas promovem produtos, mas identificam e fortalecem iniciativas culturais em tempo real.

Biggs explica que esses momentos incluem a popularização dos mini martinis e eventos como o Café Con Rum, encontros no início da noite que unem café e coquetéis, estimulando a presença e reduzindo o uso de celulares.

New Localogy

Se em 2020 a sustentabilidade estava associada à redução de desperdício, em 2026 o foco recai sobre a origem como valor agregado. Consumidores querem saber de onde vêm os ingredientes e por que são utilizados, e bartenders respondem com um nível de transparência semelhante ao da gastronomia.

Biggs cita um coquetel provado recentemente no Clemente, em Nova York, que utilizava água de tomate feita a partir de tomates de Nova Jersey, com fermentação própria. O preparo incluía a explicação completa sobre a procedência dos ingredientes.

Bartenders deixam de apenas misturar bebidas e passam a narrá-las. Constroem relações com produtores locais, utilizam botânicos da região e compartilham essas informações diretamente com os clientes.

Chefs sempre trabalharam com a narrativa dos ingredientes. Nos bares, esse diálogo ocorre de forma direta, mesa a mesa, o que, segundo Biggs, amplia o impacto dessa comunicação.

BacardiAs ativações de marca estão sendo vistas em grande escala em festivais por todo o país

The (Liquid) Experience IP

Os coquetéis extrapolam o ambiente dos bares e se integram a moda, música, arte, viagens e entretenimento. De acordo com Biggs, é necessário encontrar o consumidor onde ele está: festivais, corridas de Fórmula 1, ativações imersivas e grandes eventos culturais.

Enquanto casas noturnas perdem espaço, festivais ganham relevância. A Bacardi se posiciona nesses ambientes por meio das ativações Casa Bacardí em eventos como Lollapalooza, Sueños, EDC e outros, com coquetéis à base de rum e música latina.

Essas ações também alcançam palcos globais, como aparições de marcas em premiações musicais, eventos esportivos e competições internacionais. Mais recentemente, a Bombay Sapphire esteve associada à primeira edição da corrida E1 em Miami.

BacardiBombay Sapphire played a role in Miami’s recent E1 races

Essa última parceria chamou a atenção de Biggs pela conexão com a sustentabilidade. Segundo ele, a marca já atua nesse campo há anos, e a associação com corridas de barcos elétricos, sem uso de combustíveis fósseis, reforça esse posicionamento.

Mesmo nesses contextos de grande visibilidade, os coquetéis apresentados tendem a ser simples e refrescantes, alinhados ao ambiente do evento.

More is More Mixology

Após anos de minimalismo e cardápios reduzidos, o maximalismo volta a ganhar espaço. Biggs afirma que a próxima geração de bartenders está preparada para ampliar o nível de criação.

A expectativa inclui coquetéis multissensoriais, apresentações marcantes, camadas de sabor, texturas variadas e bares com estética próxima à de instalações artísticas. Segundo ele, há um grupo renovado de profissionais prontos para experimentar, após um período de restrições, em um momento em que o público volta a buscar prazer.

Ao resumir o período à frente, Biggs afirma que os bartenders devem elevar o nível de criatividade, com mais opulência e maximalismo, atendendo a uma demanda clara por experiências prazerosas.

O futuro da cultura dos coquetéis combina intenção e indulgência, encontros no início da noite e energia noturna, momentos analógicos e inspiração digital, transparência local e criatividade global.

Se 2025 foi um período de redescoberta, 2026 se apresenta como um ano de reinvenção, um mini martini, um spritz, um daycap ou um coquetel maximalista de cada vez.

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