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Não é só doença: 5 formas de disseminação de crises e como freá-las

Em “As Regras do Contágio”, Adam Kucharski aborda as diferentes formas de surtos e explica por que os eventos param de se propagar

4 min
Bruno Eid/Forbes Brasil
Bruno Eid/Forbes BrasilLivro “As regras do contágio” aponta que o surtos abrangem múltiplas áreas da vida em sociedade, desde informações até sistemas financeiros

“Há alguns anos, acidentalmente causei um pequeno surto de desinformação”, inicia Adam Kucharski, autor do livro “As Regras do Contágio”, da editora Record. Em tom de confissão, Kucharski conta que postou uma foto no Twitter elogiando e detalhando suas peculiaridades, sem perceber que, na verdade, se tratava de uma imagem montada. A disseminação foi momentânea e, em poucos minutos, quase 50 mil pessoas já haviam compartilhado o conteúdo.

Doutor em matemática pela Universidade de Cambridge e pesquisador sobre a relação entre modelos matemático-estatísticos e o controle de surtos de doenças, Kucharski passou a perceber que o contágio abrange múltiplas áreas da vida em sociedade, desde informações até sistemas financeiros. Em entrevista à Forbes Brasil, ele comenta que “muitas dessas ideias respondem em campos e datas diferentes, mas coexistem em diversos temas e princípios comuns”.

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O livro foi finalizado antes do início da pandemia do coronavírus e, portanto, não há uma abordagem sobre o vírus ou a atuação da Covid-19 especificamente. No entanto, o autor comenta que “os cientistas sempre têm uma pandemia no radar”, e não foi diferente dessa vez. Para ele, “foi surreal publicar o livro durante o início do surto”.

A cobertura de crises é paradoxal e tende a ser vaga, ainda que, atualmente, haja um esgotamento social sobre os tentáculos, conceitos e variáveis de uma pandemia. No entanto, um evento diz mais sobre um lugar e época do que sobre a doença em si. Kucharski aponta que, na verdade, surtos de contágio se iniciam antes de chegar a um aumento acelerado de casos e terminam bem depois de seu ápice.

O matemático analisa que é muito importante entender como as coisas e os fatos se espalham e de que maneira isso impacta as medidas tomadas pela sociedade. “Quando falamos sobre vírus biológico, é preciso entender como as interações sociais podem influenciar a propagação. Por exemplo, uma conversa em um bar lotado não é a mesma coisa que uma conversa no parque”, ele aponta. Para o autor, “também é preciso entender o contágio em geral quando falamos de informação online de conteúdo controverso ou incorreto que está se espalhando amplamente.”

Em uma mistura de matemática, biologia, arquitetura e psicologia social e midiática, Kucharski aposta no didatismo para explicar a influência dos temas em surtos, e como entender tais fenômenos é essencial para evitar crises. Segundo ele, é de se pensar que, a nível individual, o contágio pode ser contido, mas “é a velocidade de disseminação que causa a transformação para uma grande epidemia”.

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O autor admite que muitos dos estudos epidemiológicos têm limitações experimentais e éticas, em especial. Segundo o matemático, embora seu ramo ainda sofra muitas restrições, a técnica da observação possibilitou a conclusão sobre as similaridades dos eventos. É um mito estabelecer, no entanto, apenas uma resposta para todas as formas de contágio, especialmente porque elas dependem do comportamento humano durante a época em que acontecem. Mas, para além das previsões, é preciso focar na prevenção e intervenção. No caso do coronavírus, “se a estratégia completa depender de uma vacina disponível nos próximos meses”, diz Kucharski, “isso é o ideal, mas temos que pensar que a imunização perfeita demora muito”. “No entanto, pense em como usar os métodos nos próximos anos para evitar outra desestruturação social”, aponta.

Ao explorar as diferentes formas de contágio, é possível entender o que faz com que eventos se disseminem e, principalmente, as posturas para combater a propagação. E, para isso, é necessário repensar tudo o que acreditávamos saber sobre uma infecção. Kucharski comenta ser impossível prever, ao certo, a postura de um contágio, mas pode-se pensar e refletir estrategicamente sobre ele.

Veja na galeria a seguir cinco formas de disseminação mais potentes observadas atualmente, de acordo com o autor:

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