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Sua Mente Também Precisa Sair da Zona de Conforto

Aprender coisas novas e ampliar os vínculos sociais são formas de estimular a memória, a atenção e o raciocínio

3 min

Caro leitor, você que me acompanha neste espaço há uns bons anos, sabe que eu sempre defendi a prática da atividade física como uma das mais importantes ferramentas para a saúde mental. Costumo recorrer à expressão latina mens sana in corpore sano (ou mente sã em corpo são) para lembrar que, quando cuidamos do corpo, estamos também cuidando da mente.

Ao nos exercitarmos, não fortalecemos apenas músculos, ossos e coração, mas promovemos mudanças importantes no funcionamento do cérebro. O corpo libera substâncias que não só ajudam a formar e reorganizar conexões entre as células nervosas como melhoram o humor.

Só que hoje quero falar de outro cuidado, que vai além da saúde mental: o das nossas capacidades cognitivas, como memória, atenção e raciocínio. Há outras experiências que exercitam a mente tanto quanto a atividade física exercita os músculos e que ainda têm o benefício extra de ampliar o nosso repertório.

Não estou falando apenas de jogos de memória ou de palavras cruzadas, embora esse tipo de passatempo possa treinar habilidades específicas. Treinar a mente envolve mais do que isso.

Um dos caminhos mais eficazes é nos colocarmos diante do que não conhecemos, por exemplo, aprender um idioma novo, tocar um instrumento ou simplesmente estudar um assunto sobre o qual não conhecíamos nada. O desafio de aprender algo novo exige atenção, esforço e adaptação, e isso pode resultar em melhora da memória.

Também não podemos esquecer que a mente se alimenta dos vínculos que fazemos com outras pessoas. Conversar, trocar ideias com pessoas que pensam de maneira diferente, participar de atividades coletivas, como um clube de leitura, são experiências que estimulam a atenção e nos apresentam outras perspectivas sobre a vida.

Porém, vale um alerta: essas experiências não são receita de bolo para prevenir todos os problemas cognitivos ou de saúde mental. Elas devem ser encaradas como um dos ingredientes de um conjunto de hábitos que se complementam.

Assim como reservamos um tempo para caminhar, correr ou fazer musculação, é possível criar oportunidades para aprender, experimentar e sair do terreno que nos é familiar. Afinal, cuidar da mente é manter viva a disposição de descobrir o que ainda não conhecemos.

*Dr. Arthur Guerra é professor da Faculdade de Medicina da USP, da Faculdade de Medicina do ABC e cofundador da Caliandra Saúde Mental.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

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