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O Barrichello Que Cresceu com Gasolina, Mas Agora Acelera no Elétrico

Fefo, filho mais novo de Rubens Barrichello, foi escolhido para guiar a nova geração de carros da Fórmula E no Goodwood Festival Of Speed

5 min

Fernando “Fefo” Barrichello cresceu em uma família em que o automobilismo sempre fez parte da rotina, mas em Goodwood viveu um momento próprio. Filho mais novo de Rubens Barrichello, o piloto brasileiro da Fórmula 3 foi escolhido para guiar um carro de desenvolvimento da Jaguar TCS Racing no Goodwood Festival Of Speed, na Inglaterra, que terminou no domingo (12), em uma das aparições mais simbólicas da nova fase da Fórmula E.

A categoria fez uma estreia histórica no festival ao levar o protótipo GEN4, próxima geração de seus carros, para a tradicional Goodwood Shootout. Mesmo ainda em desenvolvimento e a mais de cinco meses de sua estreia competitiva, o modelo 100% elétrico mostrou um salto importante de desempenho.

Para Fefo, o contato com o carro representou mais do que uma demonstração técnica. O GEN4 é capaz de superar 335 km/h, acelerar de 0 a 100 km/h em 1,8 segundo e entregar até 815 cv em Modo de Ataque. Em relação ao GEN3 Evo, o salto de potência chega a 71%. Ao volante do protótipo da Jaguar, o brasileiro experimentou de perto a diferença entre a escola tradicional dos carros a combustão, de onde vem sua formação na Fórmula 3, e a nova geração de monopostos elétricos.

Fora da pista, Fefo também mostra uma relação menos óbvia com os símbolos tradicionais do automobilismo. “Eu e meu irmão crescemos com meu pai, que é muito tranquilo. Nunca teve essa coisa de querer carrão ou relogião”, diz. O piloto afirma que também leva essa postura para o estilo pessoal. “Eu sou um cara bem tranquilo. Meu irmão fala que eu e ele nos vestimos de jeitos bem diferentes.”

Em vez da imagem clássica do piloto associado a relógios, supercarros e alfaiataria, Fefo se aproxima de uma estética mais urbana. “Sou bem fã desse estilo street. Gosto de usar umas roupas diferentes”, afirma. “Acho que é sobre você se sentir confortável. Talvez meus amigos estejam todos mais no estilo do meu irmão e eu esteja lá no streetzão, mas estou confortável, estou bem, estou feliz. É o que me faz me sentir bem.”

Em entrevista exclusiva à Forbes Brasil, Fefo falou sobre a emoção de representar a Jaguar em Goodwood, o impacto de pilotar um carro elétrico de alta performance, os planos para a carreira, a relação com a engenharia e o que tem aprendido sobre cultura de equipe dentro de uma escuderia campeã mundial da Fórmula E.

Qual é a emoção de pilotar aqui no Goodwood Festival representando a Jaguar?

É sensacional. É uma emoção imensa. É a minha primeira vez aqui e também a primeira vez que venho pilotar representando a Jaguar, que é uma equipe campeã mundial. É uma máquina. Tem sido uma honra e um dia de crescimento.

O que você já pode contar sobre a nova geração do carro da Fórmula E?

O carro promete muito. A primeira coisa que você percebe é que, no carro elétrico, a potência é instantânea. Não existe aquele tempo da gasolina passar. Você pisa no acelerador e já sente a potência. Eu venho da Fórmula 3, que não tem nada de elétrico, então essa diferença é muito clara.

Como você vê a evolução da Fórmula E e o interesse do público pelo automobilismo elétrico?

Acho que todos nós temos um preconceito inicial, porque somos amantes do barulho e do cheiro de gasolina. Eu cresci com isso desde os 4 anos. Mas eu duvido que alguém assista a uma corrida de Fórmula E e não fique em choque com o quanto é legal. É uma corrida com muita ultrapassagem, muita estratégia. Eu convidaria todos a assistirem para se surpreenderem.

Quais são seus planos de carreira para o restante do ano?

Ainda tenho toda a segunda metade do campeonato de Fórmula 3, então meu foco está 100% nisso. Tenho tido a oportunidade de trabalhar com a Jaguar, que é um sonho, e a Fórmula E também é um sonho. Quero que esse namoro possa evoluir, mas tento não pensar muito mais à frente. Quero aproveitar essa oportunidade e extrair o máximo das próximas oportunidades que aparecerem.

Como é a sua troca com a engenharia na parte técnica do carro?

Para mim, é muito importante estar integrado. Eu trabalhei um ano como mecânico, e isso me ajudou demais a adquirir conhecimento da parte mecânica. Faz muita diferença entender o que está acontecendo atrás de você, o que é um sentimento no carro, o que você quer e o que precisa dele. Acho que isso pode ser um diferencial para mim, assim como foi para o meu pai a vida inteira.

O que o trabalho com a Jaguar tem ensinado sobre equipe e cultura?

Tenho entendido cada vez mais o quanto a cultura é importante. Na Jaguar, existe uma conexão muito grande entre todos os departamentos. Se um time ainda não acabou o trabalho, alguém fica esperando para que todo mundo esteja conectado. Essa sinergia faz com que todos torçam pela equipe. Eu gosto das pessoas com quem trabalho, elas gostam de mim, e isso faz muita diferença.

Qual é a principal característica que um piloto precisa ter para ser bem-sucedido?

Acho que o piloto precisa aproveitar. É muito fácil entrar em um mundo de muita pressão, de muita cobrança, e esquecer que aquilo era um sonho de criança. Às vezes você se esforça tanto para evoluir que esquece que está fazendo o que mais ama. Para qualquer trabalho, acho importante ter gratidão pelos problemas, pelas dificuldades e aproveitar cada dia e cada oportunidade.

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