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Carros Chineses Aceleram Rumo Ao Mercado Premium Brasileiro

Primeiro eles ganharam escala no Brasil com carros mais acessíveis. Agora o Salão de pequim mostrou o próximo passo: avançar para modelos mais sofisticados

5 min

A experiência dos carros chineses no Brasil começou com escala; agora sobe de andar. Se os últimos anos foram marcados por automóveis elétricos mais acessíveis, expansão rápida de rede e ganho de participação, o Salão de Pequim 2026, que terminou no começo de maio, deixou mais claro qual tende a ser o próximo capítulo dessa história: uma ofensiva das montadoras com produtos muito mais próximos da faixa de R$ 1 milhão, voltados ao segmento premium.

Os números ajudam a entender de onde veio essa virada. No primeiro trimestre de 2026, as importações brasileiras de automóveis vindos da China somaram US$ 1,5 bilhão, alta de 552,5% sobre o mesmo período de 2025, segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex/Mdic). No mesmo intervalo, os chineses responderam por 65,6% dos carros desembaraçados no país. A primeira fase dessa expansão foi claramente a do volume. Ela apareceu de forma inequívoca em fevereiro deste ano, quando o BYD Dolphin Mini fechou o mês no topo do varejo brasileiro, com 4.810 unidades, quase mil à frente do Volkswagen Tera, segundo a Fenabrave.

Em Pequim, o que apareceu foi uma indústria já em outra fase, com impactos no mercado brasileiro. O maior salão do automóvel do mundo reuniu 1.451 carros, com 181 estreias mundiais e 71 conceitos, mas o principal não estava no volume da exposição. Estava no tipo de produto. A ênfase saiu da corrida puramente comercial por preço e avançou para uma nova safra de esportivos, sedãs de luxo, SUVs grandes e carros de posicionamento premium.

Getty ImagesBYD Dolphin

A Força Oriental

  • US$ 1,5 bilhão em importações brasileiras de automóveis vindos da China no primeiro trimestre de 2026;
  • 552,5% de crescimento no número de carros chineses importados nos primeiros três meses de 2026 em comparação com 2025;
  • 4.810 unidades de BYD Dolphin Mini emplacadas em fevereiro deste ano no Brasil;
  • 181 carros inéditos apresentados no Salão do Automóvel de Pequim 2026.

O que vem depois do volume

A GWM aposta na Wey

A GWM já deu sinais desse movimento ao indicar, por meio da divisão Wey, voltada a modelos de maior valor agregado, que o mercado brasileiro ganha peso como destino de consumo e base exportadora. Além da fábrica de Iracemápolis, em São Paulo, a empresa terá uma segunda linha de produção no Espírito Santo.

A BYD foi uma das vitrines mais claras dessa mudança. Depois de chegar ao Brasil com força em modelos de maior escala, abriu uma frente premium com a Denza, que entrou no país no fim do ano passado com o B5, o Z9 GT e a van executiva D9. Agora, a marca prepara um passo ainda mais alto: o Denza Z, apresentado em Pequim em versão conversível, com teto retrátil. Segundo apuração exclusiva da Forbes Brasil, o supercarro elétrico deve custar em torno de R$ 1,5 milhão no mercado brasileiro e tem lançamento local previsto para o segundo semestre. O modelo foi descrito pela marca como seu primeiro supercarro elétrico inteligente; traz mais de 1.000 cv e aceleração de 0 a 100 km/h em menos de dois segundos.

DivulgaçãoApresentado em Pequim na versão conversível, o Denza Z deve custar em torno de R$ 1,5 milhão no Brasil

A MG Motor montou sua estratégia brasileira em duas frentes. De um lado, confirmou para este ano o MG4 Urban, hatch elétrico de entrada que chegará primeiro importado e depois abrirá a operação industrial da marca no país. De outro, confirmou para o segundo semestre de 2026 a chegada da IM Motors, marca premium do grupo SAIC. Nos bastidores do salão, surgiram indicações de que o LS6 pode estar em fase avançada de homologação para o Brasil, ainda sem confirmação oficial. O carro é um SUV elétrico de perfil cupê, focado em tecnologia e desempenho.

DivulgaçãoO SUV elétrico de perfil cupê LS6 chega ao Brasil sob a marca sino-britânica MG

A Exeed, divisão premium da Chery, aparece como outra peça desse novo tabuleiro. A marca está nos planos para o Brasil, ainda dependente de análises antes da decisão final, mas com um objetivo claro: disputar o espaço em que hoje o consumidor associa prestígio e acabamento sobretudo a nomes europeus.

A Lotus, hoje sob controle do Grupo Geely, reforça a dimensão global dessa virada. A marca prepara seu retorno oficial ao Brasil por importação com dois produtos que resumem bem essa nova fase: o Eletre, SUV elétrico feito na China com até 918 cv, e o Emeya, sedã de proposta GT baseado em eletrificação e desempenho aerodinâmico.

DivulgaçãoA Lotus prepara sua reestreia no país com o Eletre

*Reportagem publicada na edição 141 da Forbes Brasil, disponível nos aplicativos na App Store e na Play Store.

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