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O Iate de R$ 90 Milhões Que Foi a São Paulo sem Deixar o Estaleiro

Com duas unidades já reservadas no Brasil, o Grande 30 Metri apareceu no Boat Show por meio de uma reprodução em tamanho real de seu convés superior

6 min

Levar um megaiate de 30 metros para dentro de um pavilhão em São Paulo não é exatamente uma operação simples. Acima dos 25 metros, dimensões, peso e transporte transformam a presença física dessas embarcações em eventos fechados em um desafio logístico. A Azimut encontrou outra solução: deixou o barco em Santa Catarina e levou apenas uma parte dele — em tamanho real.

Na reta final do São Paulo Boat Show, que termina nesta terça-feira (29), uma das estruturas que mais ajuda a dimensionar o novo patamar da indústria náutica brasileira não flutua. É um mockup do Infinity Skydeck do Grande 30 Metri, megaiate que começou a ser construído neste ano na fábrica da Azimut em Itajaí.

A reprodução tem seis metros de altura, pesa 7,5 toneladas e recria em escala 1:1 os 105 m² do flybridge do futuro iate. Na prática, a área é semelhante à de muitos apartamentos e permite ao visitante caminhar pelo convés de um barco que ainda levará quase dois anos para tocar a água.

“Quando se fala em um megaiate de 30 metros, desenhos e imagens digitais nem sempre conseguem transmitir a dimensão real dos espaços”

Carlo Alberto Sisto, CEO da Azimut Yachts Brasil

Como levar um barco que não cabe

O Grande 30 Metri permanece em construção em Itajaí. Em vez de tentar transportar casco, superestrutura e todos os componentes de uma embarcação desse porte até São Paulo, a Azimut reproduziu apenas uma de suas áreas mais importantes.

O projeto do mockup foi desenvolvido pela finlandesa NAVIA Design, de Jarkko Jämsén, e executado em compensado pela própria equipe da fábrica brasileira da Azimut.

A estrutura reproduz o convés superior, incluindo lounge de popa, conexão com a área interna, sala de estar, cozinha de apoio e posto de comando. Dos 105 m², cerca de 35 m² podem ser fechados e climatizados no barco definitivo. “É um barco que dá um volume incrível”, diz Sisto. “O fly tem 105 metros quadrados, dos quais 35 podem ser fechados e pressurizados.”

A escala real também permite avaliar algo difícil de perceber em uma tela: circulação. O mockup ajuda tanto a engenharia quanto os futuros proprietários a entender proporções, ergonomia e distribuição dos ambientes antes que a construção esteja concluída.

“O cliente consegue visualizar o espaço em escala humana e participar de decisões importantes sobre a configuração do iate”, afirma.

Essa possibilidade ganha peso em um produto feito para um grupo pequeno de compradores. Duas unidades do Grande 30 Metri já estão reservadas para clientes brasileiros.

Um iate de R$ 90 milhões

O modelo tem quase 30 metros e preço estimado a partir de R$ 90 milhões. A primeira unidade construída no Brasil deve entrar na água em meados de 2028.

Apesar do tamanho, o projeto foi desenvolvido com preocupação em reduzir peso na parte superior da embarcação. A tecnologia Carbon Tech utiliza fibra de carbono em componentes da superestrutura, solução que ajuda a baixar o centro de gravidade.

“É uma tecnologia novíssima. Tem utilização de fibra de carbono e é um barco com uma concepção nova”, afirma Sisto.

As linhas externas são do premiado designer Alberto Mancini, enquanto o interior foi desenvolvido pelo estúdio milanês m2atelier, com curadoria da Yachtique. O projeto também incorpora o Deck2Deck Terrace, concebido para aumentar a integração entre os ambientes internos, a popa e o mar.

O Grande 30 Metri foi apresentado originalmente na Itália no ano passado. A produção brasileira exigiu um período adicional de desenvolvimento industrial antes de começar em Itajaí.

A escala do Boat Show

A solução de levar o flybridge, em vez do iate inteiro, ganha ainda mais sentido dentro do São Paulo Boat Show. O evento acontece em um pavilhão fechado do São Paulo Expo e recebe barcos de diferentes portes, mas embarcações próximas ou acima dos 30 metros impõem limitações logísticas muito maiores.

Isso também faz do mockup um dos destaques da 29ª edição. O maior barco em exibição dentro do evento é o Intermarine 25M. Com 25,15 metros de comprimento, o modelo tem flybridge de 50 m² equipado com jacuzzi e bar panorâmico, além de um balcony lateral de oito metros que amplia a área de convivência junto ao mar. A embarcação acomoda até 26 pessoas.

O salão reúne mais de 160 embarcações e acima de 30 lançamentos e novidades. A expectativa é movimentar aproximadamente R$ 550 milhões em seis dias, caso confirme crescimento de cerca de 10% sobre os R$ 500 milhões registrados em 2025.

No ano passado, foram 120 marcas, 170 barcos expostos, 40 mil visitantes e 750 embarcações negociadas, alta de 7,14% sobre a edição anterior.

Um barco maior, uma fábrica maior

O Grande 30 Metri também representa uma mudança de escala para a própria Azimut no Brasil. A embarcação é produzida em Itajaí, na única fábrica própria da marca italiana fora da Itália. Sua construção faz parte de um ciclo de R$ 120 milhões em investimentos no país até 2028.

O plano prevê levar o complexo industrial a 65 mil m², incorporar novas tecnologias e aumentar o quadro de aproximadamente 650 para cerca de 800 funcionários.

Quando pronto, o Grande 30 Metri será o maior iate produzido em série pela Azimut no Brasil e também o maior já construído no país.

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