IPCA tem alta mais fraca em 5 meses em janeiro

AmandaPerobelli/Reuters
AmandaPerobelli/Reuters

Índice tem grande influência dos preços de energia elétrica, que começaram o ano em queda

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) teve alta de 0,25% em janeiro, depois de ter subido 1,35% em dezembro, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) hoje (9). Esse resultado é o mais fraco desde agosto de 2020 (0,24%) e ficou abaixo da expectativa em pesquisa da Reuters de avanço de 0,31%.

Entretanto, a inflação em 12 meses passou a 4,56%, após ter encerrado 2020 com alta acumulada de 4,52%, acima do centro da meta do governo, mas dentro do intervalo de tolerância. O índice foi influenciado pelos preços da energia elétrica, que iniciaram o ano em queda e ajudaram a aliviar a inflação oficial brasileira em janeiro para o menor patamar em cinco meses.

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“O índice de janeiro tem influência grande da energia elétrica e tivemos uma alta menor de alimentos, mas ainda é cedo para dizer que temos uma desaceleração contínua da inflação”, afirmou o gerente da pesquisa, Pedro Kislanov.

O ano começou com queda de 5,60% no preço da energia elétrica, que exerceu o maior impacto negativo individual sobre o índice do mês com a entrada em janeiro da bandeira amarela. Isso levou a uma deflação de 1,07% do grupo habitação.

“Em fevereiro a bandeira vai ser novamente amarela e aí esse efeito (negativo) não existirá mais. O comportamento do IPCA vai depender dos demais itens e subitens”, completou Kislanov. O outro grupo a registrou queda de preços em janeiro foi vestuário, de 0,07%, após alta de 0,59% em dezembro, quando as vendas do setor se aquecem para as festas de final de ano.

A mediana das projeções de economistas, consultados na pesquisa Focus do BC, aponta alta de 3,6% para o IPCA em 2021.

Alimentos e serviços

Os outro sete grupos tiveram alta dos preços, em um ano que começa com cautela em relação aos preços, devido principalmente à desvalorização do real. A inflação de serviços, setor mais afetado pelas medidas de isolamento contra o coronavírus, enfraqueceu com força para 0,07% em janeiro, de 0,83% no mês anterior. Enquanto o destaque foi a alta de 1,02% de alimentação e bebidas, maior variação e o maior impacto positivo no IPCA do mês, embora tenha enfraquecido ante o avanço de 1,74% de dezembro.

Os alimentos para consumo no domicílio passaram de uma alta de 2,12% em dezembro para 1,06% em janeiro, influenciado especialmente pela alta menos intensa das frutas, que cresceu 2,67% e pela queda no preço das carnes, que recuou 0,08%.

“O auxílio (emergencial) ajudou a sustentar a alta dos alimentos no ano passado. Pessoas de menor renda fizeram compras de alimentos e inclusive de carnes. A queda de carnes pode ter a ver sim com o fim do auxílio, mas pode ser questão de mercado. Temos que aguardar pra ver se há continuidade”, completou Kislanov.

As preocupações com o cenário inflacionário levaram o Banco Central a retirar do seu comunicado o “forward guidance”, com o qual mantinha o compromisso de não elevar os juros desde que algumas condições estivessem satisfeitas.

O BC entende que, diante das incertezas, seria preferível aguardar a divulgação de mais informações sobre o cenário econômico e a pandemia do coronavírus. Segundo o presidente da autoridade monetária, Roberto Campos Neto, o risco de crescimento não tão robusto no curto prazo com inflação em alta é o maior desafio.

Para 2021, a meta do governo é de uma inflação de 3,75%, com margem de 1,5% acima ou abaixo. Essa leitura é a mais alta desde maio de 2019 (4,66%), mas ainda ficou abaixo da expectativa de elevação de 4,61% do IPCA no acumulado em 12 meses até janeiro. (com Reuters)

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