Gigantes do transporte marítimo interrompem rotas para a Rússia

Medidas da MSC e da Maersk aprofundam o isolamento do país à medida que a invasão da Ucrânia desencadeia um êxodo de empresas ocidentais.

Reuters
Compartilhe esta publicação:
Peter Kovalev\TASS via Getty Images
Peter Kovalev\TASS via Getty Images

Imagem de arquivo mostra navio da Maersk em porto de São Petersburgo em 28 de setembro de 2018

Acessibilidade


As gigantes do transporte marítimo MSC e Maersk interromperam temporariamente todo o transporte de contêineres de e para a Rússia, aprofundando o isolamento do país à medida que a invasão da Ucrânia desencadeia um êxodo de empresas ocidentais.

A MSC, a maior transportadora marítima do mundo, disse em comunicado hoje (1) que vai parar as reservas de carga de e para a Rússia, mas ainda aceitará e examinará alimentos e cargas humanitárias.

A Maersk, que opera rotas de transporte de contêineres para São Petersburgo e Kaliningrado no Mar Báltico, Novorossiysk no Mar Negro e Vladivostok e Vostochny na costa leste da Rússia, disse hoje que todo o transporte de contêineres para a Rússia será temporariamente interrompido.

Com sede em Genebra, a MSC disse que está implementando com efeito imediato a partir de 1º de março “uma paralisação temporária em todas as reservas de carga de/para a Rússia, cobrindo todas as áreas de acesso, incluindo Báltico, Mar Negro e Extremo Oriente da Rússia”. “A MSC continuará a aceitar e selecionar reservas para entrega de bens essenciais, como alimentos, equipamentos médicos e bens humanitários”, afirmou.

O Ocidente impôs pesadas restrições à Rússia para fechar sua economia e bloqueá-la do sistema financeiro global, tornando-a efetivamente “não investível” e incentivando as empresas a interromperem vendas, cortar laços e descartar dezenas de bilhões de dólares em investimentos.

Inscreva-se para receber a nossa newsletter
Ao fornecer seu e-mail, você concorda com a Política de Privacidade da Forbes Brasil.

As restrições fecharam o espaço aéreo para aeronaves russas, excluíram alguns bancos russos da rede financeira global Swift e restringiram a capacidade de Moscou de usar seus US$ 630 bilhões (cerca de R$ 3,25 trilhões) em reservas estrangeiras.

Debandada

As empresas de energia BP e Shell abandonaram posições multibilionárias, enquanto os principais bancos, companhias aéreas, fabricantes de automóveis e outros cortaram remessas, encerraram parcerias e classificaram as ações da Rússia inaceitáveis.

“Espero ver uma série de anúncios semelhantes nos próximos dias”, disse Sonia Kowal, presidente da Zevin Asset Management em Boston, ontem (28), acrescentando que o desinvestimento do grande fundo soberano da Noruega apoiaria a mudança.

 

O grupo de petróleo e gás TotalEnergies também disse que não fornecerá mais capital para novos projetos na Rússia, seguindo movimentos da Shell, BP e da norueguesa Equinor para sair de posições no país rico em energia.

As empresas de cartões de pagamento dos EUA Visa e Mastercard bloquearam várias instituições financeiras russas de sua rede.

Grandes empresas de tecnologia estão equilibrando apelos para fechar serviços na Rússia com o que consideram a missão de dar voz à dissidência e ao protesto.

A empresa controladora do Facebook, Meta, informou ontem que restringirá o acesso aos meios de comunicação estatais russos RT e Sputnik em suas plataformas na União Europeia, em linha com medidas semelhantes de grandes empresas de tecnologia dos EUA.

O YouTube está bloqueando canais conectados aos meios de comunicação estatais russos RT e Sputnik em toda a Europa, disse a empresa operada pelo Google, da Alphabet.  O Twitter decidiu reduzir visibilidade de posts estatais russos.

Mais notícias sobre a guerra na Ucrânia:

União Europeia impõe sanções a bilionários russos

Fake news na invasão da Ucrânia: como saber se fotos e vídeos são reais?

“Ninguém me ensinou a ser CEO numa guerra”, diz empreendedora ucraniana

Compartilhe esta publicação: