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Cenários
Os contratos futuros dos principais índices americanos e as ações brasileiras negociadas em Wall Street estão em baixa no pré-mercado com uma piora da situação no Oriente Médio. Na segunda-feira (17) se encerrou o cessar-fogo temporário entre EUA e Irã, que era válido por 60 dias. Donald Trump disse que não deve estender o prazo. Além disso, Trump criticou o sultanato de Omã por estar negociando com o Irã para desobstruir o trânsito de petróleo pelo Estreito de Ormuz, e ameaçou bombardear o país árabe. “Se Omã atrapalhar, vamos bombardeá-los até não sobrar nada”, disse Trump à Fox.
Isso alterou os preços do petróleo e as taxas de juros americanas no mercado secundário. Os contratos futuros do petróleo bruto Brent superaram US$ 90 por barril, uma alta modesta em relação aos últimos dias, mas rompendo uma barreira psicológica importante. Às 5h16 (hora de Brasília), os juros dos títulos do Tesouro americano de 30 anos subiram para 5,3275% ao ano, o nível mais alto desde 2002.
Segundo analistas, facções radicais consolidaram seu domínio sobre o governo em Teerã, adotando uma postura inflexível diante dos Estados Unidos e dos países vizinhos no Oriente Médio. Sem qualquer indício de negociações substanciais com Washington, a liderança iraniana optou por escalar as tensões regionais.
O objetivo central dessa manobra seria elevar os custos do confronto para as forças americanas, utilizando a ameaça contínua como mecanismo de dissuasão militar diante do que consideram um evidente fracasso das vias diplomáticas.
O impacto imediato dessa instabilidade recai sobre o setor energético global, que atualmente opera com estoques de petróleo muito reduzidos e quase nenhuma margem de segurança para eventuais falhas repentinas no abastecimento.
Para tornar a situação ainda mais incerta, a estrutura militar americana enfrenta um esgotamento severo de sua capacidade devido à extensão do conflito. A gravidade da situação é acentuada pela ausência de um planejamento estratégico claro para encerrar as hostilidades. Isso ficou ainda mais evidente com as recentes ameaças de Trump sobre novos bombardeios contra Omã.
Perspectivas
A combinação entre petróleo mais caro e juros longos em alta nos Estados Unidos tende a reforçar o movimento de aversão a risco visto nas bolsas globais nesta terça-feira. Historicamente, esse tipo de cenário penaliza em especial mercados emergentes, que dependem de fluxo estrangeiro e ficam mais vulneráveis quando os títulos americanos de longo prazo passam a pagar retornos mais atrativos, reduzindo o apetite por ativos de maior risco como ações brasileiras.
No Brasil, o mercado deve repetir o padrão observado em episódios anteriores de escalada no Oriente Médio: alta do dólar frente ao real, pressão sobre papéis de empresas mais expostas a importação de insumos e combustíveis, e possível fôlego extra para ações de petroleiras, que tendem a se beneficiar da elevação nos preços do petróleo. Já setores intensivos em energia, como transporte, siderurgia e químico, costumam figurar entre os mais pressionados.
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