A Espanha se juntou ao grupo de dez países que disputam sediar um dos projetos mais ambiciosos do turismo e da arquitetura contemporânea: a construção da Lua na Terra. A lista de candidatos inclui potências como Emirados Árabes Unidos, China, Estados Unidos, Índia e Austrália, e chega até o Brasil.
Se de fato a ideia vingar, ela pode se tornar a maior estrutura esférica já construída. A Lua artificial tem previsão de alcançar 312 metros de altura e sua esfera alcançar 271 metros de diâmetro. A enorme bola pretende se transformar em um dos maiores ícones turísticos do planeta e superar a Sphere de Las Vegas, até agora a maior estrutura esférica do mundo, com 112 metros de altura e 157 metros de largura.
O que caberá dentro da “lua”
Quem está por trás do projeto é a empresa canadense Moon World Resorts. O complexo, batizado simplesmente de Moon, incluiria um hotel com 4.000 quartos, espaços residenciais de luxo, centros de convenções e, como peça central, uma recriação imersiva da superfície lunar
O investimento estimado gira em torno de US$ 5 bilhões, sem incluir o custo do terreno. O modelo financeiro combina capital privado com a pré-venda de aproximadamente 10.000 unidades residenciais distribuídas entre torres anexas e estruturas secundárias.
Não se trata apenas de um hotel temático. É um complexo de quase 200 hectares projetado para receber até 10 milhões de visitantes por ano, sendo que cerca de 2,5 milhões seriam atraídos exclusivamente pela experiência lunar.
Simulação e projeto
A esfera coroaria o empreendimento como elemento icônico. Em sua parte superior está prevista uma simulação da superfície da Lua que permitiria caminhar sobre um terreno recriado com precisão topográfica.
A empresa menciona inclusive possíveis aplicações como ambiente de treinamento para agências espaciais, embora os detalhes técnicos sobre como reproduzir sensações gravitacionais ainda não tenham sido definidos.
O projeto Moon não se limita a uma grande esfera. O plano diretor inclui: 20 torres perimetrais conectadas por uma passarela panorâmica elevada 16 esferas secundárias zonas residenciais premium centro de convenções espaços de lazer e gastronomia intercambiador de transporte, heliporto e vertiporto integração de painéis solares no anel externo.
O resultado seria um skyline completamente dominado por geometrias circulares, uma declaração estética pensada para transformar o complexo em um símbolo global. Mais do que arquitetura, o projeto também funciona como uma operação de branding territorial.
Para o país anfitrião, significaria posicionar-se como destino de inovação, turismo de experiência e entretenimento de nova geração. Um movimento semelhante ao que os Emirados Árabes Unidos fizeram com seus megaprojetos ou ao que a Arábia Saudita tentou com iniciativas como The Line ou Mukaab.
Por que a Espanha?
A Espanha aparece como candidata real ao lado de Emirados Árabes Unidos, China, Estados Unidos, Índia, Austrália e Brasil. A decisão dependerá de fatores-chave:
- agilidade regulatória;
- disponibilidade de terreno estratégico;
- incentivos fiscais;
- apoio institucional;
- capacidade de investimento local.
China e Emirados partem com vantagem por sua velocidade administrativa e força financeira. Ainda assim, a Espanha oferece uma combinação atraente de turismo consolidado, infraestrutura madura e capacidade hoteleira de alto nível.
A grande questão é se o ambiente regulatório espanhol permitiria acelerar um projeto dessa magnitude sem ficar preso a processos administrativos prolongados.
Projeto antigo
A Moon World Resorts apresenta diferentes versões desse projeto há anos sem concretizar nenhuma. Atualmente ele continua em fase conceitual e ainda não existe uma localização definida nem financiamento totalmente garantido.
A empresa afirma que, se os prazos forem cumpridos, a primeira Lua poderia ser inaugurada em 2032. Mas o calendário depende da escolha do país, das licenças urbanísticas, dos acordos financeiros e da estabilidade política. Em outras palavras, a visão está clara, mas o pouso ainda não.
O projeto reflete uma tendência crescente: a convergência entre entretenimento, tecnologia imersiva e arquitetura icônica. Em vez do turismo tradicional, surgem propostas que prometem experiências extraordinárias sem a necessidade de viajar ao espaço real.

A aposta do Moon é transformar a exploração lunar em um produto turístico de massa. Se for construído, não será apenas o maior edifício esférico do mundo. Será também um experimento econômico que mostra até onde a indústria do espetáculo pode chegar quando se mistura com investimento global e ambição geopolítica.
A Lua artificial pode nunca sair do papel. Ou pode se transformar no próximo grande ícone arquitetônico do século XXI.
Reportagem publicada originalmente na Forbes.es