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O Motivo Que Fez o Itaú BBA Preferir FIIs de Papel Mesmo com a Queda da Selic

Sell-side do banco mantém foco em fundos de papel atrelados ao CDI e IPCA para superar volatilidade; ativos da Kinea lideram as alocações

4 min

Em revisão da sua carteira recomendada de Fundos Imobiliários (FIIs), o Itaú BBA manteve o portfólio inalterado e frisou sua predileção por ativos financeiros – neste contexto, fundos de papel, com exposição ao crédito imobiliário.

Os analistas de sell-side do banco, assim, seguem preferindo FIIs de papel a despeito do ciclo de corte de juros – embora as sinalizações indiquem que a Selic terminará em patamar maior do que o esperado anteriormente.

“Nossa visão é baseada no fato de que o ciclo de corte de juros projetado ainda indica uma taxa terminal elevada – atualmente estimada em 14% ao fim do ano –, o que favorece os rendimentos dos fundos indexados ao CDI”, dizem os analistas Larissa Gatti Nappo e Fausto Menezes.

“Já para os fundos atrelados ao IPCA, a projeção de inflação de 5,4% para 2026, somada aos riscos altistas no radar, tende a beneficiar essa classe, reforçando a tese de que esses fundos podem representar alternativas relevantes dentro de diferentes cenários de investimento”, completam.

Em adição a isso, o BBA destaca que os FIIs de tijolo seguem com “bases sólidas e ciclos positivos”, mas ainda são mais sensíveis à reprecificação das curvas de juros. A junção destes fatores não torna a classe alvo de pessimismo generalizado.

“Enxergamos espaço para valorização adicional, sustentado pelo desconto remanescente, pela expectativa de redução da taxa de desconto e pelo bom momento operacional”, pontua o Itaú BBA, que oberva que esta classe de fundos imobiliários pode ter volatilidade elevada no panorama atual.

KNCR11, KNUQ11 e KNIP11 são maiores apostas de FIIs de papel

Os fundos da Kinea seguem tendo as maiores fatias da carteira de FIIs do banco.

Kinea Rendimentos Imobiliários (KNCR11), Kinea Unique HY CDI (KNUQ11) e Kinea Índice de Preços (KNIP11) são os principais ativos, com 10% de alocação cada. Neste caso, o trio é justamente de fundos de papel.

O Kinea Hedge Fund (KNHF11) ainda aparece com alocação de 10%, entretanto se trata de um fundo multiestratégia.

Desde abril de 2018, quando o portfólio foi criado, o retorno total (variação das cotas somada ao volume de dividendos pagos) é de 109%. Na mesma janela, o IFIX apresentou retorno total de 62,3%.

A carteira apresenta um dividend yield corrente de 11,25% ao ano, o que corresponde a um prêmio de 3,15 pontos percentuais (p.p.) sobre o Tesouro IPCA+ 2035. Esse percentual, no entanto, fica abaixo da média ponderada do dividend yield do IFIX, que está em 12,6%.

Carteira de FIIs do Itaú BBA

  • Kinea Rendimentos Imobiliários (KNCR11) – 10%
  • Kinea Índice de Preços (KNIP11) – 10%
  • Kinea Unique HY CDI (KNUQ11) – 10%
  • Kinea Hedge Fund (KNHF11) – 10%
  • HSI Malls (HSML11) – 7,5%
  • XP Malls (XPML11) – 7,5%
  • Bresco Logística (BRCO11) – 7,5%
  • BTG Pactual Logística (BTLG11) – 7,5%
  • Kinea Renda Imobiliária (KNRI11) – 7,5%
  • VBI Prime Properties (PVBI11) – 6%
  • CSHG Renda Urbana (HGRU11) – 6%
  • RBR Properties (RBRP11) – 5,5%
  • Itaú Total Return FII (ITRI11) – 5%

Abertura da curva de juros segue sendo fator detrator

Acerca do ambiente macroeconômico, o BBA destaca que junho foi marcado pelo movimento negativo dos meses anteriores, com o mercado próximo das mínimas do ano.

“A nova abertura das curvas de juros no Brasil voltou a pressionar os ativos, refletindo um ambiente de política monetária mais cautelosa e um balanço de riscos mais desafiador.”

Sobre o cenário internacional, a visão é de que a postura mais dura do Federal Reserve (Fed) também contribuiu para a deterioração do ambiente global, reforçando a pressão sobre ativos sensíveis à taxa de desconto.

O BBA ainda deu espaço para o que considera um “amadurecimento da indústria”, com o surgimento da Latin America REITs Association (LAREAL).

Conforme reportado pela Forbes, a instituição tem buscado aumentar a institucionalização e a internacionalização da indústria de FIIs brasileira, que é a sétima maior do mundo.

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