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Drink da Semana: os Segredos do Vesper Martini, a Invenção de James Bond

Criado por Ian Fleming para o agente 007, o coquetel "shaken, not stirred" é polêmico entre os puristas e um sucesso da cultura pop; aprenda seu preparo perfeito com o bartender Rodolfo Carvalho

4 min

“Três doses de gin Gordon’s, uma de vodka, meia dose de Kina Lillet. Batido até ficar estupidamente gelado”. O pedido de James Bond na mesa de pôquer do livro Casino Royale (1953) é, indiscutivelmente, a receita de drink mais famosa da cultura pop. Mas ao criar o Vesper Martini para ser a marca registrada do agente 007, o autor Ian Fleming também pariu uma das maiores polêmicas da coquetelaria.

Há quem diga que o Vesper é um “pesadelo” para os puristas da coquetelaria. Primeiro, por unir gin e vodka na mesma taça — uma redundância impensável para um clássico Martini. Segundo, pela exigência do shaken, not stirred” (batido, não mexido). Agitar um Martini na coqueteleira seria quase um sacrilégio no balcão, pois quebra o gelo, dilui excessivamente a bebida e turva um líquido que deveria ser cristalino.

Divulgação Drink é marca registrada de James Bond

Apesar das quebras de protocolo, o carisma do espião falou mais alto (especialmente após Daniel Craig pedir a bebida nos cinemas em 2006), e o drinque virou um sucesso pop. O mito diz que a receita foi arquitetada pelo autor durante suas visitas frequentes ao aclamado Dukes Bar, no luxuoso bairro de Mayfair, em Londres. O nome da bebida, claro, foi um tributo à enigmática bond girl Vesper Lynd.

A grande ironia dessa história? O próprio criador se arrependeu da receita. Em uma carta enviada ao Manchester Guardian em 1958, Fleming fez uma confissão inusitada: “Inventei um coquetel para Bond, o qual provei vários meses depois e achei intragável”.

O toque moderno: como deixar o Vesper sedoso

Se o criador não gostou de sua criatura, há quem goste. Coube aos talentos da alta coquetelaria moderna domar a agressividade alcoólica do drinque. Afinal, a bebida perdeu um de seus ingredientes originais (o Kina Lillet não é mais fabricado, sendo substituído hoje pelo Lillet Blanc) e exige precisão para não virar um soco no paladar.

Para Rodolfo Carvalho, chef de bar do descolado Domo, em São Paulo, o segredo da execução perfeita mora na escolha cuidadosa dos destilados e na temperatura extrema. “O Vesper precisa que os ingredientes estejam muito gelados“, diz o bartender. “Para não errar, eu gosto de deixar o gin e a vodka diretamente no congelador antes do preparo e usar uma taça também previamente resfriada”.

Abaixo, ele ensina o passo a passo para executar a receita em casa, com o truque para deixar a mistura aveludada até o último gole.

Vesper Martini, por Rodolfo Carvalho, do Domo

Ingredientes

  • 60 ml de Gin
  • 20 ml de Vodka
  • 10 ml de Lillet Blanc (o substituto moderno do extinto Kina Lillet)
  • 1 fatia de casca de limão-siciliano para finalizar

Modo de Preparo

  • Coloque todos os líquidos na coqueteleira. Adicione gelo até encher a parte menor do utensílio.
  • Momento James Bond: Bata com vontade, sem medir esforços, até sentir a parte externa da coqueteleira congelando nas mãos.
  • Faça uma dupla coagem (usando o coador de bar e uma peneira fina) diretamente para uma taça previamente gelada.
  • Torça o zest de limão-siciliano sobre a bebida para extrair os óleos essenciais cítricos e perfumar o drink. Passe a casca na borda e mergulhe-a no líquido.

Dicas de especialista para elevar o Vesper Martini:

  • A escolha dos destilados: “Eu gosto muito de usar o gin japonês Roku, que é bastante aromático, e a vodka Haku, que é mais leve”, revela Rodolfo. “Isso deixa o Vesper menos seco e menos agressivo no álcool do que se usássemos um London Dry e uma vodka tradicionais. Fica mais sedoso e suave para degustar”.
  • Pré-preparo: Antes de começar os trabalhos, já deixe todos os ingredientes bem gelados. Como todo bom martini, Rodolfo já deixa de antemão o gin e a vodka no congelador, assim como a taça em que ele será servido.
  • O ritmo da coqueteleira: Ao bater vigorosamente até quase congelar o metal, você não apenas atende ao pedido histórico do agente 007, mas garante uma leve aeração que contribui para que o coquetel fique gelado e agradável do começo ao fim.
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