No dia 1º de agosto, o mundo ergue seus copos para brindar o Dia Internacional da Cerveja, uma celebração que começou em 2007 na Califórnia, nos Estados Unidos, criada por um grupo de amigos em Santa Cruz.
A ideia era simples: reunir pessoas para apreciar a cerveja, homenagear os profissionais envolvidos na sua produção e distribuição e unir culturas por meio da bebida. Desde então, a data se espalhou globalmente e é comemorada em mais de 200 cidades, sempre na primeira sexta-feira de agosto, neste caso hoje, dia 1º.
Para marcar esta data, selecionamos os 20 tipos de cerveja entre os mais consumidos e representativos do mundo, com origem, método de fermentação e suas principais características. Um roteiro essencial para quem quer entender por que a cerveja continua sendo, há milênios, a bebida universal.
A História da Cerveja
A história da cerveja é muito mais antiga do que se possa imaginar. Evidências arqueológicas mostram que ela já era produzida há mais de 5 mil anos na Mesopotâmia, sendo mencionada no Código de Hamurábi e até na Epopéia de Gilgamesh. Civilizações como egípcios, sumérios, chineses e germânicos dominaram diferentes formas de fermentação, e a bebida atravessou os séculos como símbolo de rituais, trocas comerciais e identidade cultural.
Hoje, a cerveja é a bebida alcoólica mais consumida do planeta, com cerca de 190 bilhões de litros por ano, segundo dados da Kirin Holdings. A China lidera o consumo total, seguida por Estados Unidos e Brasil. Em termos per capita, países como República Tcheca, Áustria e Alemanha estão entre os maiores apreciadores.
Ao longo do tempo, foram catalogados mais de 150 estilos diferentes de cerveja, classificados por técnicas de fermentação, teor alcoólico, perfil de malte e lúpulo, além de ingredientes locais. De pilsners claras a stouts encorpadas, de fermentações espontâneas belgas às lupuladas IPAs americanas, a diversidade é tamanha que nenhum paladar fica de fora. Confira:

1. Pilsner
Origem: República Tcheca
Fermentação: Baixa (lager)
Características: Clara, seca, amargor floral, refrescante
História: Criada em 1842, na cidade de Plzeň (Pilsen), a Pilsner revolucionou o mundo da cerveja com sua aparência clara e brilhante, graças à técnica de malteação desenvolvida por Josef Groll. Tornou-se o modelo para quase todas as lagers (baixa fermentação) claras do mundo.
2. Lager (Pale Lager)
Origem: Alemanha
Fermentação: Baixa (lager)
Características: Clara, leve e suave
História: As lagers claras surgiram no século 19, influenciadas pela popularidade da Pilsner. Sua fermentação a baixas temperaturas e maturação prolongada tornaram-se padrão industrial global, especialmente após a revolução da refrigeração.
3. Helles
Origem: Alemanha (Munique)
Fermentação: Baixa (lager)
Características: Dourada, maltada, menos amarga que a Pilsner
História: Criada em 1894 pela Spaten Brewery como resposta à popularidade da Pilsner tcheca. É uma lager mais maltada, feita para agradar os consumidores de Munique que preferiam menos amargor.

4. Weissbier (Wheat Beer)
Origem: Alemanha (Baviera)
Fermentação: Alta (ale)
Características: Turva, notas de banana e cravo, uso de trigo
História: Popular desde o século 15, o estilo sofreu controle real, sendo produzido somente por cervejarias com licença. Com a queda do monopólio, tornou-se um símbolo bávaro, com suas leveduras de fruta e especiaria.
5. IPA (India Pale Ale)
Origem: Inglaterra / EUA
Fermentação: Alta (ale)
Características: Muito lupulada, cítrica, amargor elevado
História: Criada no século 18 para exportação às colônias britânicas na Índia, era mais lupulada para resistir à viagem. Modernamente, a versão americana é ainda mais intensa, com lúpulos cítricos e resinosos.
6. APA (American Pale Ale)
Origem: EUA
Fermentação: Alta (ale)
Características: Cítrica, leve, com lúpulo moderado
História: Surgiu nos anos 1980 com a revolução da cerveja artesanal americana. A Sierra Nevada Pale Ale foi um marco desse estilo, valorizando o lúpulo local Cascade, com perfil cítrico e floral.

7. Stout
Origem: Inglaterra / Irlanda
Fermentação: Alta (ale)
Características: Escura, notas de café, chocolate e torrefação
História: Evoluiu da Porter no século 18. A Guinness, fundada em 1759, tornou o estilo famoso mundialmente, com sua versão seca, torrefata e cremosa.
8. Porter
Origem: Inglaterra
Fermentação: Alta (ale)
Características: Escura, maltada, caramelo, menos intensa que a Stout
História: Uma das primeiras cervejas industriais da história, surgiu em Londres no século 18. Era consumida por trabalhadores dos portos (“porters”), combinando sabores tostados e dulçor suave.
9. Dubbel
Origem: Bélgica (Trapista)
Fermentação: Alta (ale)
Características: Ambar escuro, frutada, notas de açúcar mascavo
História: Foi a principal cerveja da Baviera antes do advento das lagers claras. Usava maltes escuros tradicionais e água rica em minerais, o que intensificava as notas tostadas.
10. Tripel
Origem: Bélgica (Trapista)
Fermentação: Alta (ale)
Características: Clara, frutada, forte e levemente picante
História: Desenvolvido por monges trapistas, especialmente na abadia de Westmalle, em 1856. É rica, escura, frutada e tradicionalmente engarrafada com refermentação.
11. Quadrupel
Origem: Bélgica (Trapista)
Fermentação: Alta (ale)
Características: Escura, alcoólica, notas de frutas secas e açúcar queimado
História: Representa o ápice de intensidade das ales trapistas, com alto teor alcoólico e sabor complexo. O nome “Quadrupel” foi cunhado pela La Trappe nos anos 1990.

12. Saison
Origem: Bélgica
Fermentação: Alta (ale)
Características: Seca, condimentada, frutada, alta carbonatação
História: Era produzida nas fazendas da Valônia durante o inverno para consumo no verão. As leveduras rústicas e os ingredientes locais conferem frescor e complexidade.
13. Bock
Origem: Alemanha
Fermentação: Baixa (lager)
Características: Avermelhada a marrom, maltada, adocicada, alcoólica
História: Surgiu em Einbeck no século 14 e foi adotada por Munique no século 17. As versões modernas são maltadas, alcoólicas e usadas como bebida de inverno ou Quaresma.
14. Dunkel
Origem: Alemanha (Baviera)
Fermentação: Baixa (lager)
Características: Escura, notas de pão tostado e caramelo
História: Foi a principal cerveja da Baviera antes do advento das lagers claras. Usava maltes escuros tradicionais e água rica em minerais, o que intensificava as notas tostadas.
15. Kölsch
Origem: Alemanha (Colônia)
Fermentação: Alta (ale)
Características: Clara, leve, frutada, final seco
História: Um estilo protegido por denominação, surgiu no século 20 como alternativa local às lagers. Embora fermentada como ale, passa por maturação a frio (lagering), o que confere suavidade.

16. Altbier
Origem: Alemanha (Düsseldorf)
Fermentação: Alta (ale)
Características: Âmbar escura, equilibrada entre malte e lúpulo
História: “Alt” significa “velha”, em referência à técnica anterior à lagerização. É fermentada como ale e maturada a frio, resultando em equilíbrio e sabor maltado-lupulado.
17. Gose
Origem: Alemanha (Leipzig)
Fermentação: Alta (ale)
Características: Ácida, salgada, presença de coentro e notas cítricas
História: Cerveja histórica fermentada com bactérias e leveduras selvagens, além de sal e coentro. Quase extinta no século 20, foi revitalizada por microcervejarias modernas.
18. Lambic/Gueuze
Origem: Bélgica
Fermentação: Espontânea
Características: Azeda, complexa, envelhecida em barris, fermentação natural
História: Feita exclusivamente na região do vale do Senne com fermentação espontânea. A Gueuze é uma mistura de lambics jovens e envelhecidos, refermentada na garrafa. Estilo ancestral e único.
19. Barleywine
Origem: Inglaterra/EUA
Fermentação: Alta (ale)
Características: Muito alcoólica, encorpada, frutas secas, notas de toffee
História: Criado no século 18 como alternativa à importação de vinhos, era uma cerveja nobre, complexa e forte. A versão americana é mais lupulada e intensa.
20. Cream Ale
Origem: EUA
Fermentação: Alta (ale), com técnicas de lagering
Características: Clara, leve, levemente adocicada, refrescante
História: Desenvolvida no século 19 por cervejeiros americanos que competiam com lagers. Apesar de ser uma ale, passa por lagering, o que a torna leve e refrescante.