Com fome? Se a ideia é jantar em um dos restaurantes mais exclusivos do mundo, talvez seja melhor fazer um lanche antes: as listas de espera são longas — em alguns casos, praticamente inalcançáveis. A gastronomia se tornou um fator decisivo na escolha de destinos de viagem, e a expansão das redes sociais multiplicou a visibilidade de experiências culinárias ao redor do globo. O resultado foi um aumento exponencial na disputa por mesas em endereços únicos, muitos deles transformados em destinos por si só, atraindo viajantes de todos os continentes em busca de provar o que ali se serve.
Esse fenômeno levou ao que se poderia chamar de caos nas reservas. Há casas que exigem marcações feitas com até um ano de antecedência, frequentemente acompanhadas de depósitos substanciais para garantir a mesa. Outras foram além, estabelecendo regras e até desafios para selecionar quem terá o privilégio de se sentar.
De olho nesse cenário, a empresa de pagamentos Dojo analisou volumes de busca, tempos médios de espera e alcance digital dos restaurantes mais concorridos do mundo. O levantamento revela não apenas os endereços mais disputados, mas também como a busca pela exclusividade vem redefinindo a hospitalidade global.
A reserva mais difícil do mundo
O restaurante mais difícil de conseguir uma reserva é o The Lost Kitchen, na cidade de Freedom, no Maine, na costa leste dos EUA. O motivo é simples: todas as reservas dependem da sorte. Em vez de reservas online ou por telefone, os clientes interessados devem enviar um cartão postal ao restaurante com o pedido de visita, incluindo nome, endereço, telefone, e-mail e estação do ano desejada para a reserva. Os cartões são selecionados aleatoriamente e os clientes recebem uma ligação informando que foram escolhidos.

Embora pareça muito esforço para um jantar, o The Lost Kitchen não enfrenta dificuldade para conseguir reservas. O restaurante recebe, em média, 66.210 buscas mensais no Google e tem 350 mil seguidores no Instagram. Um jantar com vários pratos para a temporada de 2025 custa US$ 295 (R$ 1.770) por pessoa, sem incluir impostos, bebidas e gorjeta, e os jantares acontecem aos sábados, de maio a outubro.
Vários restaurantes dos EUA têm listas de espera de um ano
Restaurantes nos EUA dominam a lista. No topo, o Rao’s, em Nova York, é famoso por ser extremamente difícil conseguir reserva. Desde sua inauguração em 1896, este restaurante italiano de dez mesas cresceu em fama e mantém grande lealdade entre os clientes. Por isso, a maioria das mesas é permanentemente reservada para clientes fiéis. A melhor chance de conseguir uma reserva é através de algum contato pessoal (uma amizade com um frequentador regular pode ajudar), embora também seja possível tentar contato direto. Informações internas indicam que janeiro e agosto são os meses mais tranquilos, pois os clientes regulares costumam estar de férias.

Na costa oposta, a reserva mais difícil em São Francisco é no House of Prime Rib, restaurante procurado para grandes celebrações e por suas porções generosas de carne. As buscas no Google ultrapassam 90 mil por mês, e o tempo de espera estimado para uma reserva é de cerca de um ano.
O tempo de espera é igualmente longo no Damon Baehrel, embora a experiência gastronômica seja completamente diferente da do House of Prime. Dono e único funcionário, Baehrel recebe visitantes em sua fazenda de 5 hectares, cerca de 180 km ao norte de Nova York, oferecendo uma cozinha totalmente autossuficiente e sustentável, chamada Native Harvest. Ele tem apenas 88 seguidores no Instagram, mas sua reputação garante sua popularidade.
Restaurantes europeus têm estrelas Michelin e longas esperas
Três dos melhores restaurantes da Espanha estão entre os 15 mais difíceis de conseguir mesa. O Disfrutar, em Barcelona (que significa “alegria”), possui três estrelas Michelin e espera de até um ano para reservas. Se isso for muito tempo, o El Celler de Can Roca, em Girona, costuma ter tempo de espera de cerca de 330 dias.

E no Mugaritz, com duas estrelas Michelin, em San Sebastian, conhecido por sua culinária experimental e divisiva entre os clientes, é necessário reservar aproximadamente 180 dias antes.
Em outro ponto da Europa, o Noma, em Copenhague, talvez o restaurante mais famoso e seguido do mundo, recebe 246 mil buscas mensais no Google e tem mais de um milhão de seguidores no Instagram. Mesmo assim, o tempo de espera costuma ser de apenas 90 dias, embora grupos maiores (seis a oito pessoas) consigam reservas com mais facilidade.

Com três estrelas Michelin e também uma estrela verde Michelin, que reconhece sua abordagem inovadora em gastronomia sustentável, o De Librije, em Zwolle, na Holanda, é conhecido por sua cozinha artística e saborosa. Atualmente, está totalmente reservado até agosto de 2026, mas clientes interessados ainda podem entrar na lista de espera na esperança de conseguir uma mesa antes.