A quarentena está mudando a nossa relação com o álcool

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O confinamento fez com que, de certa forma, os dias da semana se assemelhassem aos do fim de semana

Se você buscar por “consumo de álcool no mundo na quarentena” no Google, vai encontrar mais de 500 mil resultados. A ingestão de bebidas alcoólicas se tornou um problema tão preocupante que a Organização Mundial da Saúde (OMS) passou a exortar que Governos limitem a venda de álcool durante o período de reclusão.

Não é surpreendente que a pandemia esteja mudando a nossa relação com o álcool. O confinamento fez com que, de certa forma, os dias da semana se assemelhassem aos do fim de semana. Já não há mais um vestuário para o trabalho e outro para o descanso. Já não há mais a necessidade de acordar tão cedo para enfrentar o trânsito.

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Tenho visto muita gente se sentir atraída a mimetizar, em casa, a vida pré-coronavírus, em que eram comuns os encontros com amigos e com a família, acompanhados de uma taça ou copo de bebida alcoólica. Esse comportamento vem sendo estimulado grandemente pelos happy hours virtuais.

 

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Dr. Arthur Guerra fala sobre como a quarentena está mudando a nossa relação com o álcool

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De certa forma, é compreensível que, em uma época em que nos vemos bombardeados de notícias negativas, as pessoas se sintam compelidas a buscar algo que anestesie a sensação de impotência diante da crise. O álcool faz o papel de “muleta”, ao gerar uma sensação de relaxamento e de euforia.

Do ponto de vista médico, há duas questões importantes a serem ressaltadas. As mudanças de hábitos com relação à bebida devido ao distanciamento social são negativas. Por exemplo, abrir uma garrafa de vinho no meio da tarde, algo impensável antes, ou dificuldade para ficar em apenas uma dose. O álcool tem um impacto considerável na saúde mental, ao afetar o nosso humor, nos deixando mais suscetíveis à ansiedade e à agitação, além de reduzir a imunidade, algo particularmente caro em tempos de coronavírus.

Se você sente que a sua relação com a bebida mudou, um exercício interessante é anotar em um caderno os momentos que despertam a vontade de beber. É provável que você consiga identificar alguns gatilhos do seu consumo de álcool. O caminho para gerenciar essa nova relação com as bebidas alcoólicas é o do meio: entender que há certos limites e que a palavra-chave é moderação.

Dr. Arthur Guerra é professor da Faculdade de Medicina da USP.

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