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Como Dois Jovens Criaram Império Gastronômico de R$ 90 Milhões em Goiânia

Amigos de infância, Ian Baiocchi e Domingos Ávila unem criatividade e gestão no Grupo Íz, que atende 50 mil clientes por mês em suas sete operações

4 min

Em Goiânia, dois jovens traçaram uma história de revolução na cena gastronômica do Centro-Oeste. Amigos de infância que se conheceram por causa da academia de karatê da família, o chef Ian Baiocchi e o empresário Domingos Ávila (Forbes Under 30) uniram o talento culinário de um com o faro para negócios do outro e decidiram empreender.

O que começou com apenas um restaurante, 10 anos atrás, hoje é o Grupo Íz, um ecossistema com sete operações de alto nível. Entre elas, um restaurante italiano (1929 Trattoria), um bistrô francês (Grá, na cobertura do prédio mais alto do Centro-Oeste) e uma sorveteria artesanal (Alata). O portfólio inclui ainda o Fulles Kitchen, focado em preparos na lenha, e a mais recente ousadia da dupla: o Íz Hotel Conceito, primeiro restaurant with rooms do Brasil, inaugurado para celebrar a primeira década do grupo.

Com passagens por D.O.M., Maní e os espanhóis El Celler de Can Roca e Mugaritz, Ian faz uma comida cosmopolita, que poderia estar em qualquer lugar do mundo, mas ele escolheu voltar para sua terra natal. “O caminho mais fácil para um cozinheiro talvez fosse ficar em São Paulo, onde a visibilidade e a estrutura já estão prontas. Mas sabia que, ao voltar para minha cidade, estaria encarando um desafio real, com mais obstáculos, mas também com muito mais sentido”, conta o chef.

DivulgaçãoGrá, bistrô de Ian: vista privilegiada na cobertura do prédio mais alto
do Centro-Oeste

Valorizando ingredientes e técnicas locais, o goiano tinha um objetivo ao abrir seu primeiro endereço: mostrar que é possível fazer alta gastronomia com alma regional. Aos poucos, sem intenção, foi conquistando a cidade com sua boa comida. “No começo, houve certa resistência. O desafio era aproximar sem simplificar demais, e elevar sem afastar. Mas o público foi entendendo que não se tratava de pompa, mas de cuidado”, relembra Ian.

Deu (muito) certo. Ian e Domingos fecham 2025 com R$ 89 milhões faturados. A expectativa para o próximo ano é bater os R$ 115 milhões, impulsionada por uma estrutura que já emprega 445 pessoas — devendo chegar a 520 colaboradores em 2026 — e atende cerca de 50 mil clientes por mês.

“Quis construir algo dentro da minha região e mostrar que é possível fazer alta gastronomia com alma regional” – Ian Baiocchi

DivulgaçãoPrato do menu degustação do Íz

A diversidade de casas no grupo, ao longo de uma década, é explicada pela personalidade multifacetada de Ian. “No fim, cada casa foi sendo criada não para aumentar o número, mas para dar vazão a diferentes partes de mim”, explica ele. “Todas têm o mesmo fio de propósito, de cuidado, de consistência, mas cada uma conta uma história diferente”.

A história diferente da vez é do primogênito Íz Restaurante, que vive um novo capítulo agora instalado em um novo endereço: uma casa modernista no Setor Marista, onde divide espaço com o hotel boutique. Com apenas três suítes e diárias a partir de R$ 2.500, o projeto une hospitalidade e gastronomia: o café da manhã é à la carte, com itens como pamonhas e charcutaria curada na casa, e o frigobar surpreende com sorvetes artesanais e carne de porco na lata.

DivulgaçãoQuarto do Íz Hotel Conceito, em espaço junto ao restaurante

A solidez dos números passa pela visão estratégica de Domingos, engenheiro civil de formação que trouxe método à criatividade doe Ian. “Sempre o vi como um cara genial e quis ser seu sócio, expandir os negócios”, lembra do início da parceria, em 2016. “A gente traz uma organização e uma gestão muito grande para os negócios. Com toda a humildade do mundo, digo que nossa influência no cenário gastronômico goiano foi muito grande. Hoje, até num boteco da cidade, você tem uma comida mais bem apresentada, com técnica”, analisa o empresário, que projeta consolidar uma holding gastronômica com produtos de marca própria e expansão para outros estados.

Apesar do crescimento exponencial, os planos para o futuro não estão apenas em aumentar os dígitos. Ian diz que o foco é “crescer em profundidade”. Inquieto e apaixonado pelo seu ofício, o chef confessa sua vontade de “abrir espaço para novas linguagens, talvez até outras formas de hospitalidade e experiências”. Seja lá o que a dupla resolva fazer, é certeza que o esforço será em fazer bem-feito.

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