Diferente de muitos drinks clássicos cujas origens se perdem em lendas e disputas de autoria, o Espresso Martini tem uma história de nascimento com local, data e criador muito bem definidos. Ela começa em 1983, em Londres, pelas mãos do lendário bartender Dick Bradsell – uma figura icônica que ajudou a revolucionar a cena da coquetelaria na cidade.
A lenda conta que Bradsell trabalhava no Soho Brasserie quando uma modelo sentou-se ao balcão e fez um pedido: ela queria um coquetel que a “acordasse e a deixasse bem animada”. Como o bar havia acabado de instalar uma máquina de café espresso, Bradsell juntou uma dose fresca do café a vodca, licor e açúcar.
O drink nasceu ali, sob o nome de “Vodka Espresso”. Em 1997, chegou a ser rebatizado de “Pharmaceutical Stimulant” antes de cair de vez nas graças do público como “Espresso Martini”. O nome final foi impulsionado por uma febre dos anos 1990: a tendência de batizar com o sufixo “martini” qualquer bebida servida na clássica taça em formato de “V”. Na essência da mixologia, o drink não é um verdadeiro Martini (já que a família clássica exige gin e vermute na composição), mas o nome pegou, popularizou-se na Austrália e, em pouco tempo, ganhou o mundo.
Hoje, é considerado um dos coquetéis modernos mais versáteis da coquetelaria, capaz de brilhar tanto em um brunch matinal quanto em um get-together no meio da tarde ou como um estimulante para a noite.
Os segredos do preparo
A receita é simples, mas não permite atalhos. O grande segredo para o sucesso está na qualidade e no frescor do café. O café recém-extraído garante uma base robusta e aromática que eleva todo o perfil de sabor do coquetel. No entanto, é fundamental deixá-lo esfriar um pouco antes de bater para evitar uma diluição excessiva pelo gelo. E sempre use um café especial, orienta o coffee hunter Caio Tucunduva, sócio do Café Hotel.

Outro ponto crucial é a textura. O Espresso Martini exige uma coqueteleira e muita energia. A agitação vigorosa do café e de seus óleos naturais é o que cria a sua textura característica e a espuma que finaliza o drink. “Quando usamos a coqueteleira, o drink fica com uma textura bastante ímpar. Além do sabor, o café dá estrutura para o coquetel”, explica Tucunduva.
Para potencializar essa espuma, Alex Sepulchro, do Grupo Astor, tem um truque de especialista: bater com gelo, fazer uma dupla coagem e, em seguida, voltar o líquido para a coqueteleira e bater por mais alguns segundos sem gelo, processo perfeito para aerar e garantir cremosidade.
Por fim, para decorar, a espuma cremosa leva três grãos de café. Eles não estão ali por acaso. Bradsell pegou a ideia emprestada do serviço tradicional do licor italiano Sambuca. Os três grãos flutuando sobre a espuma carregam um belo significado simbólico na hora do brinde, representando os três pilares de uma boa vida: saúde, riqueza e felicidade.
Abaixo, veja como preparar a versão tradicional e um “twist” para sair da rotina.
A receita clássica do Espresso Martini
(Por Alex Sepulchro, do Grupo Astor)
Ingredientes:
- 60 ml de vodka premium
- 25 ml de licor de café
- 30 ml de café espresso (extraído na hora)
- 5 ml de xarope de açúcar
- 3 grãos de café para decorar
Modo de preparo:
- Extraia o espresso e reserve para que ele resfrie um pouco.
- Coloque a vodca, o licor de café, o espresso resfriado e o xarope de açúcar em uma coqueteleira com bastante gelo e bata vigorosamente.
- Faça uma dupla coagem na própria coqueteleira (retirando o gelo) e bata o líquido novamente por mais alguns segundos. Essa etapa serve para aerar bem o coquetel e garantir uma espuma perfeita.
- Sirva em uma taça coupe ou taça martini previamente resfriada.
- Decore cuidadosamente com os 3 grãos de café sobre a espuma.
Que tal um twist?
Caio Tucunduva sugere uma troca simples, mas que faz a diferença: substituir a base alcoólica. “Uma coisa que fica muito, mas muito boa é você substituir a vodca por uma tequila de qualidade“, ensina.
Para deixar a experiência ainda mais redonda e temática, a dica é usar um licor de café que também tenha a tequila como base (como o Patrón XO Cafe). “Você usa a tequila, o licor de café com base de tequila e, lógico, um café bacana. Fica muito interessante”, garante o especialista. O resultado é um drink com notas mais terrosas e herbais, sem perder a cremosidade e o efeito revigorante que fizeram a fama do Espresso Martini.