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Cabeça Cheia: o Que Fazer para se Livrar da Sobrecarga Mental?

Conheça algumas estratégias para acalmar a mente, recuperar o controle e aumentar o foco

4 min

Você já sentiu que sua cabeça está a ponto de explodir? Pois saiba que nosso cérebro realmente tem um limite. Imagine que ele é um HD. Não dá para colocar dados à vontade nele. Há uma capacidade a partir da qual não só o HD começa a ficar mais lento, como, se tentarmos colocar mais dados do que ele é capaz de suportar, aparecerá uma mensagem “capacidade máxima atingida”.

Vivemos em um mundo que espera que estejamos sempre disponíveis e produtivos. Ao mesmo tempo, cobramos de nós que estejamos 100% do tempo conectados. É a ideia por trás do FOMO – da sigla em inglês ‘fear of missing out’, que pode ser traduzido por algo como ‘e se eu perco algo’? O resultado é que temos tratado o nosso cérebro como se ele fosse um poço sem fundo. E ele não é. Não por acaso um significativo número de pessoas anda se sentindo mentalmente exausta, sem energia, impaciente, mal-humorada, com pouca capacidade de se concentrar, mais dificuldade de tomar de decisões e de pensar com clareza.

Isso é o que chamamos de sobrecarga mental: um estado em que o cérebro se vê tão sobrecarregado que ultrapassa a sua capacidade de processamento. Logicamente, isso impacta não apenas as funções cognitivas (a memória é uma das primeiras coisas a falhar) como o corpo físico – daí a sensação de exaustão, de que “eu não aguento”. Que fique claro: sobrecarga mental não é a mesma coisa que burnout, embora as coisas estejam ligadas. Enquanto no burnout a exaustão é geral – emocional, mental e física -, a sobrecarga mental afeta fundamentalmente a parte cognitiva.

Como arrumar a casa (ou, a cabeça, no caso) para encontrar maior equilíbrio e proteger a saúde mental?

  • Estabeleça limites: talvez seja hora de você recolocar na balança o seu dia a dia e priorizar o que realmente é essencial nesse momento. O fato de você adiar temporariamente algumas coisas não significa que não possa retomá-las adiante, mas simplesmente que talvez não seja necessário acumular uma ‘pirâmide’ de coisas.
  • Faça uma higiene digital: Poucos percebem isso, mas as notificações do celular e dos smartwatches deixam você permanentemente em estado de alerta. Talvez seja hora de desligá-las depois que o expediente de trabalho termina. Tenho visto algumas pessoas se desligarem das redes sociais na sexta-feira e só voltarem a se conectar na segunda-feira. Me parece uma excelente dica.
  • Faça uso de agenda e listas: ao invés de querer dar conta mentalmente de todas as tarefas e compromissos a cumprir na semana – o que imprime pressão extra ao cérebro -, faça uso de listinhas e de agendas. Elas ajudam inclusive a visualizar tudo o que você acumulou naquela semana, o que pode tornar mais fácil descartar o que não é tão urgente.
  • Reconheça os sinais de alerta: a memória anda deixando você na mão? O humor mudou? Está mais inquieto ou desanimado? Esses são os primeiros sinais de alerta do cérebro. Não espere pifar. Busque ajuda.
  • Reserve um tempo de qualidade para você: para manter boa saúde mental, é necessário que reservemos um momento para o ócio e o lazer. Isso não significa tempo perdido. Ao contrário, é tempo de recuperação. Reservar um tempo para a sua cabeça é uma maneira inteligente de voltar a ter foco e energia para o que realmente importa.

*Dr. Arthur Guerra é professor da Faculdade de Medicina da USP, da Faculdade de Medicina do ABC e cofundador da Caliandra Saúde Mental.

Os artigos assinados são de responsabilidade exclusiva dos autores e não refletem, necessariamente, a opinião de Forbes Brasil e de seus editores.

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