Gero Fasano juntou tudo o que gosta em um espaço só: música, cinema e comida. Talvez por isso o ambiente do seu novo restaurante transpareça tão leve, iluminado, relax. Mas não só. No Leggero, ao lado do hotel Fasano no Itaim, leveza é a palavra de ordem – muito além do nome italiano de batismo.
Inaugurado há uma semana, o restaurante já badalado nasceu da vontade de criar algo inédito dentro do portfólio do grupo. A hospitalidade do Fasano está toda ali, mas em uma roupagem menos severa. “Quis trazer uma alma mais feminina”, diz Gero, depois de perceber a sobriedade dos seus outros endereços. Discos de vinil, ilustrações e pôsteres vintage de cinema italiano – pense em Cinema Paradiso ou 8½.
Na filosofia de leveza no prato, a intenção não foi surfar propositalmente na onda do que se come na era das canetinhas. Apesar do resultado ser, de fato, mais saudável, a intenção primária era alimentação de verdade: o simples bem feito, sem excessos. “É o restaurante que mais se aproxima da comida que eu gosto de comer no meu dia a dia”, explica o restaurateur.

Frescor no prato
Sem risotos pesados, pernil ou ossobuco, o cardápio concebido por Gero aposta na tradição italiana com poucos elementos no prato e qualidade máxima dos insumos. A cozinha acontece a quatro mãos: a direção gastronômica fica a cargo de Lomanto Oliveira, veterano com quase 25 anos de grupo e atual chef-executivo do Hotel Fasano Itaim, e o dia a dia das panelas é comandado pela chef Carolina Marques.
Inspirado na tradição da Puglia, no sul da Itália, o preparo na brasa dá brilho aos vegetais. A alface grelhada, a erva-doce, a acelga ou a berinjela assada com ricota deixam de ser meros acompanhamentos para brilharem sozinhos.
A seção só de carpaccios já resume bem a proposta do restaurante: comida delicada e sutil. Não espere só o clássico de carne bovina (aqui, servida curada) ou atum tonnato: os legumes também ganham protagonismo. As finas lâminas de beterraba vêm acompanhadas de queijo de cabra e semente de girassol, enquanto a abobrinha marinada leva pesto e nozes. O palmito traz molho de azeitonas, alcaparras e anchovas, e o tradicional pomodoro vira carpaccio de tomate com mussarela de búfala e aceto balsâmico.

O cuidado se repete nas massas frescas, servidas com molhos mais leves. Destaque para a lasanheta recheada com batata e vagem e molho bechamel (uma versão com menos manteiga e farinha do que o tradicional francês), o tortelli de abóbora com amêndoas e o super delicado gnudi de ricota e espinafre na manteiga de sálvia. O cardápio de pasta também inclui um ravióli recheado de peixe branco ao molho de vinho branco e limão e um casoncelli de ricota e beterraba. Já a pasta toscana junta creme de alcachofras, camarões e tomate.
Quem preferir as proteínas, as opções vão do pargo com tomilho e limão ao galeto com azeite de ervas, o polvo na brasa e um ancho com mostarda. Mas a estrela mesmo é o saboroso rosbife ao próprio molho, com ervilhas.

Jukebox, cinema e arte
Se o cardápio é leve, a arquitetura e o entretenimento seguem o mesmo compasso. De dia, a vida no Leggero acontece na agradável esplanada, perfeita para almoços longos em dias ensolarados. Por dentro, o charme visual começa logo na entrada, emoldurada pelas artes de Felipe Jardim, cujas ilustrações exclusivas retratam o dia a dia genuíno da Itália.
Quando a noite cai, o clima muda. Junto aos 75 discos de vinil da coleção pessoal do restaurateur que enfeitam as paredes do salão, o restaurante reforça sua veia musical com um divertido “jukebox analógico”: clientes preenchem comandas musicais e pedem suas faixas ao DJ André Torquato, que comanda as picapes ao vivo. A seleção base, que passeia do jazz ao rock ‘n’ roll, foi escolhida a dedo por Gero em parceria com o escritor Arthur Dapieve.

Para encerrar, a indulgência é permitida – ainda sem excessos. A surpresa mais cremosa do menu é, de longe, o sorvete piemontês com zabaione de vinho marsala. Super aveludado e saboroso, ele fecha a refeição com a certeza de que a gastronomia não precisa ser pesada para te marcar.