Talvez você nunca tenha ouvido falar do Clover Club, mas certamente, se o visse passar por sua mesa, chamaria a atenção.
É o que costuma acontecer com o drink nos bares da mixologista Ana Gumieri. “Ele atrai mais pedidos a cada vez que passa pelo salão”, diz ela. A culpa é do seu (lindo) visual: rosado, coberto por uma fina camada de espuma branca e finalizado com framboesas frescas. Mas não se engane, o que tem dentro da taça também entrega à altura.
“O Clover Club é um coquetel clássico com perfil refrescante, frutado, levemente adocicado e cítrico”, explica a chef de bar. Na receita, o gin traz o lado seco, o limão acrescenta acidez, a framboesa dá aroma e fruta, e a clara de ovo cria a textura cremosa. “Agrada tanto quem prefere drinks frutados quanto os fãs de coquetelaria clássica com gin”, garante Ana.
Aromático e refrescante, ele é perfeito para abrir a noite, inclusive como aperitivo antes da refeição. Já anota aí: para degustar sem pressa, especialmente em encontros e comemorações mais leves.
Um drink centenário
Apesar de hoje parecer uma criação de bares contemporâneos, o Clover Club tem mais de um século de história e já passou por algumas fases: começa no final do século 19, atravessou o período da Lei Seca, caiu no esquecimento durante boa parte do século 20 e voltou a aparecer nas cartas de bares especializados nas últimas décadas.
O nome do coquetel vem do Clover Club, grupo criado em 1882 por jornalistas da Filadélfia que se reuniam semanalmente no Hotel Bellevue-Stratford, na Filadélfia. Com o passar dos anos, advogados, banqueiros e empresários também passaram a integrar o círculo – e essa era a bebida favorita do seleto grupo.
Em 1901, a fama rompeu as fronteiras do clube quando Michael Killackey, o chefe do bar do luxuoso Waldorf-Astoria, em Nova York, incluiu a mistura em seu menu de “deliciosas bebidas de verão”. A receita levava clara de ovo, suco de limão, xarope de framboesa e gin Plymouth.
A origem exata do drink permanece incerta, mas sua associação com a Filadélfia é consolidada. Como outros clássicos do período anterior à Lei Seca, o Clover Club praticamente desapareceu das cartas durante grande parte do século 20. Sua recuperação veio com o movimento de resgate da coquetelaria clássica e ganhou novo impulso em 2008, quando a bartender Julie Reiner abriu, no Brooklyn, um bar batizado com o nome do drinque e colocou sua própria versão no menu.
A receita do Clover Club, por Ana Gumieri

Para ensinar a preparar o clássico em casa, a mixologista e chef de bar Ana Gumieri, que assina as cartas do grupo de restaurantes paulistanos Il Capitale, Il Carpaccio, Gianni e Fuoco & Farina, dá a receita e suas dicas. Na sua versão, o drinque ganha toques autorais que elevam a complexidade da taça.
Ingredientes:
- 45 ml de Gin London Dry
- 10 ml de Vermute Dry
- 15 ml de cordial* (ou xarope) de framboesa
- 15 ml de limão (metade taiti e metade siciliano)
- 15 ml de clara de ovo pasteurizada
- 3 framboesas frescas para guarnição
Modo de preparo:
- Antes de tudo, deixe uma taça coupe gelando no freezer para manter a temperatura do coquetel por mais tempo.
- Encha uma coqueteleira com bastante gelo (quanto mais gelo, menor a diluição indesejada em água). Adicione todos os ingredientes líquidos.
- Bata vigorosamente por cerca de 20 segundos em movimentos circulares para gelar bem a mistura.
- Abra a coqueteleira, descarte todo o gelo grande e mantenha apenas o líquido com aquele pequeno “farelo” de gelo que sobra.
- Faça o chamado Dry Shake: bata novamente, agora sem as pedras de gelo e em movimentos retos. Isso fará o líquido expandir e criará a desejada espuma aerada e aveludada.
- Faça uma coagem simples para a taça gelada e decore com as framboesas frescas.
Dicas da Especialista
- O “Twist” do Limoncello: A adição de 5 ml de Limoncello não faz parte da receita clássica original, mas é o pulo do gato da mixologista. O licor utilizado por Ana é produzido na própria casa com base de flor de jambu e semente de cumaru, trazendo notas aveludadas que se destacam de forma surpreendente no paladar final.
- O Mix Cítrico: Para trazer mais complexidade de acidez, não use apenas um tipo de limão. Misture partes iguais de suco de limão Taiti e limão Siciliano (7,5 ml de cada para compor os 15 ml da receita).
- *O Cordial de Framboesa feito em casa: Nos restaurantes do grupo, Ana produz o xarope do zero, o que traz um sabor muito mais frutado e natural. Para fazer em casa: bata 500g de framboesas frescas no liquidificador até virar suco e coe em uma peneira fina. Leve o suco a uma panela pequena em fogo baixo, adicione 300g de açúcar refinado e mexa constantemente até diluir tudo. Quando o líquido estiver liso, desligue, deixe esfriar para ganhar textura e guarde na geladeira (dura até 3 dias). Se não quiser ter o trabalho, você pode usar um xarope de framboesa pronto de boa qualidade.