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Drink da Semana: Hanky Panky, o 1º Clássico da Coquetelaria Criado por uma Mulher

A inglesa Ada Coleman fez história com este coquetel de personalidade; descubra os segredos da receita centenária com Fábio Dias, do Fel

4 min

“Me prepare algo que acenda o meu fogo interior.” Foi para atender a esse pedido inusitado – feito em 1925 pelo ator e comediante britânico Sir Charles Hawtrey – que nasceu um dos clássicos mais potentes da coquetelaria mundial: o Hanky Panky. 

Drink de personalidade, a alquimia de gin, vermute tinto e fernet resulta em uma taça encorpada, amarga e com um levíssimo toque de dulçor, quase nada. No espectro dos clássicos, pode funcionar tanto para quem gosta da secura do Dry Martini, mas quer algo com mais peso, quanto para os fãs de Negroni em busca de uma opção mais equilibrada. E funciona perfeitamente como digestivo, quando seu perfil herbal combina com o fim da refeição. 

Mas muito além do que uma receita com presença e que sobreviveu ao tempo, o drink carrega um marco: é o primeiro clássico da coquetelaria mundial criado por uma mulher a integrar o repertório canônico da mixologia tradicional.

Um ícone feminino no balcão

A responsável pela façanha atende pelo nome de Ada Coleman (1874-1966). Conhecida como “Coley”, a inglesa foi a primeira mulher a assumir o posto de head bartender do icônico American Bar, um dos mais famosos em Londres, dentro do The Savoy Hotel, onde reinou entre 1903 e 1926.

Por ali, serviu nomes como Mark Twain e o então Príncipe de Gales e ganhou fama entre os frequentadores do hotel – em uma época em que mulheres raramente ocupavam (ainda mais do que hoje) posições de liderança atrás do balcão.

Dominio públicoAda Coleman (1874-1966)

No caso do Hanky Panky, sua criação mais famosa, a história remonta a 1925. Cliente assíduo do The Savoy, Charles Hawtre pediu a Ada que preparasse algo com bastante força. Após horas de experimentação para encontrar o equilíbrio exato entre o doce e o amargo, ela lhe serviu a combinação de gin, fernet e vermute. 

Ao provar, o ator exclamou: “By Jove, that´s the real Hanky Panky!” – uma expressão da época usada para descrever algo mágico ou ligeiramente malicioso. O nome, então, pegou.

Para ensinar a preparar o drink centenário em casa, convidamos Fábio Dias, do Fel – premiado bar paulistano premiado, notável justamente por destacar clássicos esquecidos da coquetelaria em sua carta. Veja tudo sobre um Hanky Panky perfeito e truques para seu preparo a seguir.

A receita do Hanky Panky

Ingredientes:

  • 45 ml de Gin
  • 45 ml de Vermute Tinto Doce
  • 7,5 ml de Fernet-Branca
  • Zest de laranja bahia para guarnição

Modo de preparo:

  1. Em um mixing glass com bastante gelo, insira todos os ingredientes líquidos.
  2. Mexa bem por aproximadamente 30 segundos para gelar e diluir a mistura.
  3. Coe para uma taça de coquetel (coupe ou taça Martini) previamente resfriada.
  4. Finalize extraindo os óleos essenciais da casca de laranja sobre a taça.

O “twist” do bartender

Fábio indica uma mudança para elevar o seu Hanky Panky. Divida a quantidade do vermute com um vinho Jerez. A proporção passa a ser: 22,5 ml de Vermute Tinto Doce e 22,5 ml de Jerez Oloroso. “Vai deixar o coquetel com um perfil mais vínico e delicioso”, garante ele.

Dicas do especialista

Para replicar a excelência do balcão em casa, Fábio Dias compartilha seus principais truques:

  • A escolha dos rótulos: O mercado oferece excelentes opções, e a escolha vai ditar a alma do drinque. Se preferir um gin mais floral e cítrico, Dias sugere o japonês Roku (que traz botânicos como yuzu e folhas de cerejeira). Para algo mais delicado, a indicação é o Martin Miller’s. No vermute, procure pelo estilo Di Torino, como Carpano Rosso, Antica Fórmula ou Cocchi.
  • Atenção à temperatura: Resfrie os utensílios (mixing glass e taça) no freezer antes de utilizá-los. Isso garante uma melhor execução e mantém o drinque gelado por mais tempo.
  • O peso do gelo: O gelo é um dos ingredientes mais importantes do coquetel. Evite o gelo de supermercado, que derrete rápido e deixa a bebida aguada. Utilize pedras maciças (hoje existem fornecedores especializados que entregam gelo translúcido e denso em casa).
  • O trato com a guarnição: Na finalização, tenha delicadeza ao adicionar a casquinha de laranja. Faça apenas uma leve torcida para liberar os óleos essenciais. Se você apertar em excesso, trará um amargor indesejado e acabará roubando os aromas da bebida.
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