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Drink da Semana: Boulevardier, a Versão com Uísque Que “Melhorou” o Negroni 

Criado na Paris dos anos 1920, ele substitui o gin pela potência e corpo do bourbon. Aprenda a receita e a releitura do Ici Bistrô

3 min

Se o Negroni fez a sua fama mundial com gin, Campari e vermute, o Boulevardier segue a mesma fórmula, mas com uma mudança importante: o uísque como o destilado estrela da receita. Há quem diga (especialmente os aficionados por uísque, é claro) que essa é uma “versão melhorada” do clássico italiano, em que o bourbon substitui os toques botânicos do gin por potência, calor e mais corpo. O resultado é um coquetel elegante.

“É um drink ótimo para se pedir à noite, especialmente em dias frios. Por seu perfil doce e amargo, funciona muito bem como aperitivo ou um digestivo após a refeição”, explica Alan Marinho, bartender com 15 anos de balcão e que há quatro anos comanda as coqueteleiras do Ici Bistrô, em São Paulo.

Um brinde à Paris dos anos 1920

A história do Boulevardier é um retrato da efervescência e boêmia dos anos 1920 em Paris.

Na época, fugindo da Lei Seca nos Estados Unidos, uma trupe de americanos ricos, escritores e boêmios mudou-se para a Europa. A palavra francesa boulevardier (algo como “frequentador de boulevards”) era usada para descrever justamente esses bon vivants de estilo de vida cosmopolita, que passavam as noites caminhando pelas famosas avenidas de Paris e peregrinando pelos melhores bares da cidade. Inspirado por essa atmosfera, o socialite e escritor Erskine Gwynne fundou uma revista literária com esse exato nome.

Frequentador assíduo do lendário Harry’s New York Bar, na capital francesa, Gwynne criou a mistura que acabou batizada em homenagem à sua publicação. A receita original, que pedia partes iguais de uísque, Campari e vermute doce, foi eternizada em 1927, quando o icônico barman Harry MacElhone a incluiu em seu livro Barflies and Cocktails.

A receita do Boulevardier

Enquanto a receita clássica de quase um século atrás pedia partes iguais de cada ingrediente (30 ml de bourbon, vermute tinto e Campari), a coquetelaria moderna prefere dar mais protagonismo ao destilado base.

No Ici Bistrô, Alan Marinho faz uma releitura que diminui levemente o dulçor e o amargor para deixar o bourbon brilhar, além de trazer uma camada extra de aromas cítricos. Para a receita, a sugestão de rótulos do especialista é Maker’s Mark, Bulleit ou Wild Turkey. Alan também gosta de adicionar um dash de angostura e uma borrifada de infusão de casca de laranja-bahia para um toque cítrico. 

Aprenda a seguir:

Ingredientes

  • 40 ml de bourbon 
  • 25 ml de vermute tinto 
  • 25 ml de Campari
  • 1 dash de Angostura Orange Bitter
  • Casca de laranja (para guarnição)
  • Infusão de casca de laranja-bahia (opcional, para borrifar)

Modo de preparo

  1. Em uma coqueteleira, adicione bastante gelo.
  2. Despeje o bourbon, o vermute, o Campari e o lance de Angostura.
  3. Com uma colher bailarina, mexa os ingredientes de 20 a 25 segundos
  4. Coe o líquido diretamente sobre um copo baixo previamente gelado e com um cubo de gelo grande e translúcido (próprio para drinques).
  5. Coloque a casca de laranja na lateral do copo como guarnição. Para finalizar com a assinatura de Alan, dê uma borrifada da infusão de laranja-bahia sobre o copo.
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