Ex-executivo do Vale do Silício vira chef com estrela Michelin em Barcelona

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Jordi Artal era executivo do Vale do Silício e se reinventou como cozinheiro aos 30 anos

Crescendo nos subúrbios de Toronto, no Canadá, Jordi Artal passou a infância ansiando pelos verões longos e quentes passados ​​com sua avó catalã, na Costa Brava, nos arredores de Barcelona. Além de viajar, porém, a paixão do jovem Jordi eram os computadores, e ele acabou se mudando para o Vale do Silício durante a ascensão da internet e das empresas pontocom. Duas décadas depois, Artal se tornou chef com estrela Michelin, estando à frente de um dos restaurantes mais aclamados de Barcelona, ​​o Cinc Sentits.

Esta é a história de Jordi Artal, o filho canadense de imigrantes catalães que se tornou diretor de marketing de uma pontocom do Vale do Silício antes de retornar ao país de origem dos seus pais, onde aprendeu sozinho a cozinhar e abriu seu próprio restaurante.

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Quando Artal tinha 2 anos, sua avó foi ao Canadá para uma visita por algumas semanas e o levou de volta para a Costa Brava no verão. “Eu era muito jovem para me lembrar da viagem, mas, aparentemente, comecei a falar naquele verão. Ou seja, falei catalão antes do inglês”, lembra.

Verões ​​na Catalunha

Todos os anos, até o final da adolescência, Artal passava um mês na Catalunha, visitando lugares como Barcelona, ​​Reus, Lloret de Mar na Costa Brava e a vila de La Torre de l’Espanyol, de onde sua família era originária.

“Além da felicidade óbvia de estar livre dos pais por alguns meses, os verões na Catalunha significavam viajar de avião, falar um idioma diferente, brincar com meus primos, novos amigos, primeiros encontros (e primeiros beijos!). Noites quentes de verão, apenas absorvendo a vibração e o ambiente da Catalunha”, diz ele, acrescentando: “Não poderia ter sido mais diferente dos subúrbios de Toronto onde cresci e das escolas que frequentei, que tinham praticamente zero diversidade e eram muito vazias.”

O pai de Artal trabalhou como administrador de sistemas na Universidade de Toronto e, enquanto crescia, ele teve acesso a alguns computadores muito avançados. Artal logo desenvolveu uma aptidão para a tecnologia e, quando o boom dos PCs o atingiu, ele admite que já estava apaixonado. Artal montou seu próprio negócio de consultoria de informática enquanto estava na faculdade e, eventualmente, ingressou em uma pequena startup em Toronto. Quando seu chefe, que morava no Vale do Silício, se juntou a outra startup, ele pediu a Artal que fosse trabalhar com ele na Califórnia.

Surfando na bolha das pontocom no Vale do Silício

“Cinco anos depois, eu era o diretor de marketing de uma empresa que havia levantado milhões em capital de risco durante o primeiro boom das pontocom no início dos anos 2000. Fomos o primeiro site de compartilhamento de fotos, já que câmeras digitais e smartphones estavam começando a se tornar populares”, diz Artal.

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Após o boom, veio o crash inevitável e, em 2002, a empresa reduziu de tamanho antes de fechar as portas. Nesse ponto, os pais de Jordi Artal já haviam se divorciado havia muito tempo e sua mãe e irmã moravam em Barcelona.

“Quando a empresa foi vendida, eu estava exausto e sabia que era hora de ir embora. O destino em minha mente era claro: Barcelona, ​​onde estava minha família”, afirma.

“Sem planos de cozinhar”

“Não havia absolutamente nenhum plano para cozinhar ou abrir um restaurante –isso veio depois”, acrescenta.

Mas computadores não eram a única coisa para a qual Artal tinha aptidão quando criança. Ele estava sempre rondando a cozinha quando sua mãe ou avó estavam cozinhando. Anfitriã animada, sua mãe costumava oferecer jantares elaborados, que ele se lembra de ter observado com admiração.

No Vale do Silício, Artal e sua irmã tinham começado a oferecer seus próprios jantares.

Menus-degustação no Vale do Silício

“Os convidados chegavam esperando um prato de massa ou um bife grelhado, mas servíamos um menu-degustação de seis pratos completo –antes mesmo de os menus-degustação virarem moda”, ele diz.

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“Eu quase não comia esses pratos, e tinha o maior prazer de observar os meus amigos. As noites invariavelmente terminavam com alguém comentando como tudo estava bom e que nós ‘deveríamos abrir um restaurante’, mas, com nossas carreiras bem pagas no Vale do Silício e estilos de vida agitados, apenas ríamos disso”, ele continua.

No entanto, os comentários continuaram a ecoar na mente de Artal e, quando sua tia abriu uma sorveteria na Costa Brava durante seu ano sabático, seguindo os passos de sua mãe, que também tinha um pequeno negócio em Lloret de Mar, ele diz que acabou pensando “Por que não?”

Cinc Sentits ou cinco sentidos

Artal abriu o Cinc Sentits (catalão para “cinco sentidos”) em 2004, com a ajuda de sua mãe Roser Artal e da irmã Amèlia. O restaurante, que é um dos pioneiros do movimento slow food na Catalunha, serve menus-degustação elaborados, incrivelmente belos e cheios de sabores, feitos inteiramente de peixes, crustáceos e carnes de origem local, além de frutas e vegetais orgânicos da estação. Quatro anos depois, o trabalho árduo e a paixão de Jordi Artal foram recompensados ​​com uma cobiçada estrela do Guia Michelin.

“Foi completamente inesperado” ele exclama. “Nunca tínhamos falado com a Michelin, nem pedimos que nos avaliassem. Receber uma estrela não era algo que eu realmente tivesse pensado, já que não tinha nenhum treinamento profissional e nenhuma experiência anterior em restaurantes.”

Desde então, o Cinc Sentits só cresceu. Em 2018, o restaurante se mudou para um novo espaço e manteve a sua estrela Michelin no ano seguinte.

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“Antes de abrirmos, as pessoas me disseram que quase todos os restaurantes falham e raramente sobrevivem nos primeiros anos. O fato de ter durado tanto tempo e continuar a ser bem recebido e bem revisado é uma conquista tremenda”, diz Artal.

Olhando em retrospecto, Artal diz que nunca poderia ter imaginado onde estaria nesta fase de sua vida.

“Quando criança, nunca imaginei que deixaria o Canadá, muito menos que me mudaria para o Vale do Silício e acabaria em Barcelona”, diz ele. “Se você me abordasse enquanto eu estava na Califórnia e dissesse que em quatro anos eu seria um chef com estrela Michelin, eu teria rido do puro ridículo da ideia.”

Artal é rápido em apontar que não se arrepende de nenhuma de suas escolhas.

Sem arrependimentos

“Quando tomamos decisões importantes na vida, as fazemos usando as melhores informações disponíveis. Não poderíamos ter tomado uma decisão diferente, porque, na época, era a melhor opção. Cada momento que vivemos e cada decisão que tomamos nos leva adiante em nossas aventuras de vida”, enfatiza.

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Como alguém que recriou a si mesmo e sua carreira aos 30 anos, que conselho Jordi Artal daria a outras pessoas que buscam inspiração profissional?

“Recomeçar profissionalmente já no meio da carreira, foi como apertar o botão de reiniciar. Foi reenergizante e revigorante de uma forma, me fez sentir como um jovem começando seu primeiro emprego. Isso é o que eu diria a qualquer pessoa que está presa em uma rotina em sua vida profissional que perdeu a alegria de seu trabalho”, diz ele.

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